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consegui finalmente dar uma relaxada no fim de semana, depois de deixar 8 pinturas no Common Grounds. não pude ficar mais tempo prá ver as pinturas na parede, mas devo dar uma chegada lá prá dar uma olhada, e também ver o trabalho dos outros artistas. aqui estão elas, emolduradas - o trabalho todo fui eu quem fez:






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Serpentarium é uma das pinturas que resolvi mostrar, meio de última hora, mesmo sendo um trabalho experimental e um pouco diferente dos outros em técnica e estilo. fiz rápido e de forma bem livre e despreocupada, num papel não muito bom, só prá ver onde chegaria... e o resultado acabou sendo uma agradável surpresa.



venho tentando essa técnica já a algum tempo, sem muito sucesso, mas acho que agora aprendi os truques. é uma técnica mais intuitiva, mas bem simples, na verdade. aplico várias camadas de aquarela usando três ou quatro cores e as deixo mesclarem, sempre controlando as formas até elas resultarem mais ou menos numa pintura abstrata completa. as camadas de aquarela contém mais pigmento do que as que usualmente faço nos meus underpaintings. em Serpentarium eu desenhei a face sem nenhum estudo prévio, preenchendo com grafite, como sempre. o mais legal é que o "caos" produzido pelo underpaiting se mostra através da figura, e o efeito é bem interessante. então comecei a observar ao redor da figura, da mesma forma que se procura formas nas nuvens... foi então que comecei a ver as serpentes. o próximo passo foi reforçar as formas e criar mais abstrações. voilà.

fiquei tão excitada que decidi começar mais dois experimentos, dessa vez usando pranchas e fazendo um planejamento. depois de produzir os abstratos de forma bastante aleatória, fotografei-os e joguei no Photoshop. então comecei a estudar as composições colocando as referências desejadas sobre elas. a combinação fotos + fundo me trouxe idéias para as pinturas quase instantaneamente.


in progress: The Veil

a primeira está surgindo. a primeira coisa que vi no fundo abstrato foi uma grande caveira, no topo central. então entendi que era hora de trabalhar novamente num conceito que havia criado recentemente mas que abortei por ter achado a execução uma bela porcaria. e lá vem O Véu novamente, em um estilo de fundo que eu sempre quis para meus trabalhos mas que nunca consegui fazer. delícia ver a figura meio que emergindo do fundo, como um espectro, sendo aos pouco formada pelo meus lápis. estou amando. espero que tudo corra bem e que eu finalmente me estabeleça nesse estilo mais livre e frouxo de pintura.

na semana passada fui à oftalmologista dar uma revisada nos meus óculos e falar sobre o meu extremo cansaço visual. ela diminui o grau das lentes e os óculos parecem bons e confortáveis. no entanto, exposição prolongada ao computador continua sendo um problema. e como eu não pretendo voltar lá para refazer os óculos uma terceira vez, a solução encontrada foi reduzir o máximo possível o tempo gasto por aqui, o que se me atrasa um pouco a vida, já que todos os meus contatos são feitos online. no entanto, ganho mais tempo para outras coisas importantes - como terminar os 3 livros que estou lendo, montar meus workshops e desenhar mais.

a vida artística anda complicada. ando em crise. de repente o estilo que vinha tentando desenvolver não me parece mais adequado, sei lá. estou meio perdida e sem muita vontade de trabalhar. isso com exposição marcada e tendo que terminar pelo menos umas quatro peças em menos de 3 semanas. fiquei dias trabalhando em duas para abortá-las quase no final. sei lá, tô precisando de algo que me dê um estalo criativo. encontrar imagens estimulantes, daquelas que te dão vontade de pegar os lápis e pincéis na mesma hora e ir trabalhar. ou de umas mini-férias, porque rotina de casa e filho se misturando com rotina de trabalho às vezes fica confusa e cansativa.

enquanto os trabalhos novos não vêm, deixo-vos com o processo de construção de O Chamado (The Calling):


work in progress: The Calling

work in progress: The Calling

work in progress: The Calling

work in progress: The Calling

ainda estou ponderando se coloco ou não esse à venda. tenho colocado um bocado de energia emocional nesse trabalho, que está meio que se tornando um auto-retrato. sim, é meu rosto de novo. O Chamado é sobre a liberdade de ser você mesmo e seguir seu caminho na vida, responder ao chamado da sua alma. tem uma estética mais orgânica e mais naturalista. parece que definitivamente incorporei o coração na minha iconografia pessoal, junto com as máscaras e borboletas...

depois de muitos rabiscos no meu caderninho de desenho, cansei e resolvi partir para a ação. não dá prá perder muito tempo em pesquisas e estudos, sob o risco de perder-se a sanidade. encontrar as imagens perfeitas é uma ilusão, porque a gente vai evoluindo, mudando de gosto e de estilo; se a gente perde muito tempo procurando a perfeição, o trabalho não sai. além do mais, o resultado final nunca é exatamente igual ao que se planejou. as coisas vão mudando à medida que as cores vêm, acrescenta-se aqui, tira-se ali, nunca se sabe o que se vai encarar quando se lança à aventura da tela ou da folha de papel. navegar é preciso, criar não é preciso...

como estou fazendo quase um reality show de um processo de pintura, acho bom falar um pouquinho do material que eu uso no trabalho. começando pelo suporte, que se chama illustration board por aqui e que eu nunca sei como chamar em português porque nunca vi esse material pelas bandas tupiniquins. vou aqui chamando de prancha de ilustração.


a prancha de ilustração é quase como um papel-cartão extra rígido. o face onde se trabalha é branca, levemente texturada, e o verso é colorido e não dá prá aproveitar para um trabalho normal. a marca que eu uso é a Crescent, que tem um preço legal e boa qualidade. há pranchas de ilustração adequadas para todo tipo de midia, a que eu uso é feita para segurar mídias aguadas e airbrush. ela não tem a maciez do papel, portanto é meio estranho trabalhar nela com lápis no início. no entanto, trabalhos a grafite ficam uma beleza, sem contar que você pode errar e apagar à vontade, sem danificar o papel - a não ser que insista no grafite super macio, que tende a ser muito escuro, ou que use use pontas muito finas e duras com muita pressão, porque pode sulcar.

a prancha de ilustração é perfeita para quem, como eu, trabalha com toneladas de pigmento e centenas de camadas de aquarela, o que deformaria qualquer papel comum. também tem a vantagem de aguentar as técnicas mais hardcore, especialmente de raspagem de pigmento quando você comete algum erro ou não gosta do resultado e quer fazer de novo.

na mesinha ao lado eu tenho aquarelas Winsor & Newton, em tubos e pastilhas, pincéis redondos diversos de números 00 a 5, pincéis chatos e os indefectíveis pincéis de bambu chineses. dois potes de água limpa, palheta, lápis, lapiseiras, esfuminhos e borrachas. papel toalha é um item indispensável.

começo adicionando novos elementos ao desenho, pensados nos meus últimos estudos...

... um feto bem na altura do útero da figura de base. o vértice do triângulo que aponta para baixo vai dar aí - manifestação do Divino no plano físico. uma espiral forma o desenho do útero e do feto - a espiral dourada da geometria sagrada, símbolo da harmonia e precisão do Cosmos. o útero está circundado por uma flor de pétalas largas, que possivelmente será um lotus, mas ainda não sei. da flor saem gotas em direção do solo - que vou representar num dos painéis adicionais, agora chamado de painel Sul, abaixo deste, que se transformou no painel central. o curioso é que eu desenho as gotas com as pontinhas viradas para baixo, como se elas tivessem vindo da terra, e não o contrário... isso me lembrou algumas imagens do Arcano XVIII do Tarot, A Lua, onde a figura da Lua parece sugar gotas da terra. como o painel Sul vai trazer uma representação da Lua, tenho a impressão que mais coisa virá daí. notem que o desenho das gotas ao contrário não foi intencional!


... galhos, folhas, abstrações, espirais, espirais, espirais.

agora é hora de resolver os problemas que apareceram desde que o trabalho tomou um rumo diferente. como eu comecei a ter outras idéias quando já tinha construído as figuras no meu suporte definitivo, tive que fazer várias adaptações ou teria que refazer os desenho. mas até que a coisa se revela não tão dramática quanto eu pensei.

problema 1 - a composição da estrela de seis pontas. depois de vários cálculos a estrela acaba se encaixando bem no trabalho, embora os lados não tenham ficado lá muito exatos. mas não tem problema, porque a diferença não parece mesmo ser perceptível. para solucionar o problema da visibilidade da estrela, resolvo construir os triângulos que a formam de espirais e flores, dando uma organicidade que se harmoniza com o objeto (árvore) e dispensa a precisão matemática. acho que na foto abaixo dá prá se ter uma idéia (aumentei o contraste para tornar visíveis as linhas ainda clarinhas que compoem os triângulos, visíveis sobre as figuras.)


problema 2 - colocação do triângulos no centro do quadro. a estrela aqui precisa ficar mais ou menos centralizada, a fim de equilibrar a composição. como não tem muito jeito de fazer isso sem deformar os triângulos, a solução encontrada foi eliminar uma polegada à esquerda do quadro. faço isso colocando fita adesiva para delimitar minha área de trabalho. prá não ter que soltar a prancha de ilustração da prancha de madeira que me serve como suporte, resolvo que vou cortar o quadro depois que estiver pronto, o que é bem temerário porque, se algum erro ocorrer no corte, bye bye pintura. mas como já fiz isso sem nenhum problema, tenho confiança que tudo correrá bem também desta vez (gulp!)

faixa extra de fita adesiva colocada para a direita, marcando uma polegada a menos na minha área de trabalho.

o toque final antes de começar a aquarelar o desenho é transformar uma das mulheres em anciã, prá dar a elas aquele caráter de Deusa Tríplice que eu mencionei antes. escolho a da direita, que desde o iniciozinho já parece bem mais adiantada em anos do que as outras. curioso é que ela é a única que mostra mais da própria face.

work in progress: Tree of Life

work in progress: Tree of Life

o trabalho final, antes de aquarelar:

work in progress: Tree of Life

uma coisinha que acabei de notar no meu estudo, no caderninho de desenho: o triângulo apontado para baixo aponta exatamente para o ventre da figura de base da árvore. pro útero. olha que coisa mais linda: a manifestação do Divino Espírito na gestação de um ser vivo no plano físico (caramba, eu sou super sensível a essa coisa de gestação de bebês e maternidade e a ligação espiritual da coisa, me deu até vontade de chorar agora.) só isso já dá espaço para um outro trabalho diferente.

o Luís me deixou ainda a pouco um comentário muito lindo que eu acho que vale a pena responder em forma de post, mais tarde. Luís, obrigada. serviu igualmente como uma ajuda conceitual pra minha árvorezinha. outra bela idéia veio na forma de uma imagem maravilhosa que a querida Dee me mandou ontem, e que é parte do filme novo do Lars Von Trier, Antichrist:

um dia antes de viajar eu estava meio obcecada com a Árvore da Vida. estava me sentindo meio bloqueada - talvez porque estivesse tão cansada e com os olhos doloridos e pesados. mas decidi começar uma pesquisazinha sobre o assunto, já que o meu conhecimento sobre árvores da vida é meio genérico. deu prá perceber o quão complexo é o mito, já que ele existe em praticamente tudo que é cultura desse mundo.

trabalhar com mitos é um campo meio traiçoeiro. quanto mais longe você vai no estudo, mais animado fica quando vê as coisas se desdobrando e se ligando à outras, especialmente dentro de você mesmo. as idéias começam a pipocar de todo canto e você acaba ficando frustrado porque é simplesmente impossível colocar tudo o que você imagina numa pintura. melhor ir com calma, começar pelo básico e ouvir sua voz interna.

a Árvore da Vida é basicamente uma metáfora para a forma como todas as criaturas vivas estão entrelaçadas e ligadas a essa grande rede chamada Universo. microcosmo e macrocosmo, céu e terra. olhando o meu tosco estudo, noto que a composição das figuras forma uma tríade - Virgem, Mãe e Anciã? - e que, além de não mostrarem os rostos, suas cabeças são quase que as pontas de um perfeito triângulo.



então eu adiciono outro triângulo, com a ponta virada para baixo. o Selo de Salomão, espírito e matéria, macrocosmo e microcosmo, assim em cima como embaixo. se eu tivesse planejado isso tudo não sairia tão perfeito.

então agora dá prá ver a loucura que é essa coisa de criar arte. por isso é que na maioria das vezes eu não entro em desespero quando me sinto bloqueada. eu sei que o próprio trabalho (?) vai acabar me apontando o que ele quer, e que as coisas cedo ou tarde acabam se encaixando.

agora eu tenho um problema. acabo de descobrir que a estrela de seis pontas apareceu no meu caderninho de desenho quando eu já tinha o lápis prontinho, no suporte definitivo. que as cabeças não estavam tão alinhadinhas, a simetria do triângulo não era a mesma. seria meio louco rejeitar o primeiro trabalho e começar outro, mais "dentro das regras" - mesmo porque, um segundo trabalho nunca é igual ao primeiro similar. pode ficar melhor, ou pior. eu não quero arriscar. fico com o primeirão, e aceito o desafio de criar uma solução pictórica que sugira, ou simule os triângulos.

outro problema: o "tronco da árvore" está ocupando mais de 60% da área da prancha (ou placa... tô achando que chamar de prancha cai melhor) de ilustração. ok, as três mulheres estão bacanas e tudo, a composição é atrativa o suficiente, mas é uma Árvore da Vida, tem que ter uma grande e luxuriante copa.

a solução vem na forma de quadrinhos adicionais, um no topo e e um de cada lado. gosto da idéia, vai ficar parecendo um "joguinho" de quadros, parecido com um tríptico, só que com mais de 3 painéis. e, em cada painel, que tal representar um dos quatro elementos, ou as quatro estações? as quatro estações são um símbolo perfeito para o próprio ciclo da vida.

dou uma olhada em imagens de Árvore da Vida pela web. encontro muitas com galhos em forma de espirais. eu pinto um bocado de espirais, mas eu queria algo diferente, já que espirais parecem ser um tipo de clichê árvoredavidiano. é preciso fugir dos clichês sempre que possível. but... espirais são símbolos de vida! eles representam ciclos, evolução, fertilidade. o espiral é uma das representações mais antigas do poder da Deusa. meu herói, o Klimt, certamente sabia o que estava fazendo quando pintou sua famosa e fantástica Árvore da Vida. como é que eu posso fugir disso?

só que eu quero mais em cada um dos painéis. quero mais símbolos, não somente pássaros, peixes (peixes na árvore, sim. adoro peixes em lugares inusitados.) e outros bichinhos. estou agora explorando um pouquinho de Cabalah e tentando achar relações com a árvore da vida cabalística e a minha. não sei nada de Cabalah e nunca tirei um tempo prá estudar, então acho que pelo menos agora tenho uma boa desculpa para começar a entender um pouquinho.



Estudos para pássaros.

decidi me dar um intervalo mais prolongado do triptico e trabalhar em um projeto diferente. já que eu havia planejado inscrever uma peça na linda exposição Embracing Our Differences, decidi começara trabalhar nela. achei que esta pudesse ser uma boa oportunidade de mostrar em mais detalhes como eu crio e executo um trabalho - e o quão errático e maluco o processo todo pode ser.

a imagem a ser inscrita na exposição não deve ser muito complexa, mas antes transmitir a idéia de aceitação e tolerância às diferenças de uma forma direta. às vezes não é muito fácil prá mim pensar com simplicidade - mas não porque eu planeje isso. tive então a idéia de criar um grupo de figuras andróginas de cores diferentes emergingo da terra. as figuras não deveriam mostrar em seus corpos nada que lembrasse gênero ou raça. as cores seriam as comuns, tipo vermelho, verde ou amarelo, e não cores de pele. a intenção aqui não é a de focar em uma diferença específica, apenas de lembrar que todos somos irmãos porque nascemos do mesmo jeito e quando morremos, morremos do mesmo jeito e voltamos para a Terra que nos deu origem.

quando ainda não tenho idéia do que quero pintar, eu geralmente alimento a minha cabeça com imagens, vídeos e música. na maioria das vezes minha busca não dura muito. eu tenho muita facilidade para imaginar coisas, e às vezes apenas uma única visão de padrões nas asas de um pássaro, um belo tecido drapeado ou um incomum céu poente são o suficiente para me encher de cores e formas. e quando eu quero colocar um grupo de pessoas numa pintura preciso primeiro fazer alguns estudos a fim de encontrar uma composição harmônica. então vou para a minha coleção de referências, abro o Photoshop e começo a escolher fotos e brincar com elas, posicionando-as até criar uma composição que me agrade. é quando o trabalho de verdade começa e mais idéias sugem. às vezes o próximo passo é copiar a imagem num esboço tosco no meu caderno de desenho e começar a criar a partir dela. outras vezes, quando eu tenho uma clara idéia do que eu quero, vou direto para a placa de ilustração (ainda não sei como chamar illustration board em português...) como a imagem ainda não está bem definida na minha cabeça, é melhor fazer uns estudos primeiros.

no caderno de desenho as coisas começam a mudar. primeiro, percebo que as figuras entrelaçadas parecem melhores com os seios que lhes são de direito. a idéia inicial para o projeto começa a se esmigalhar. segundo, começo a ver galhos saindo dos braços e dos cabelos. o grupo de figuras agora é uma grande árvore.

ok, podemos usar a árvore para representar estrutura, por exemplo. diferenças estruturam o mundo, fazem dele um lugar mais rico e interessante. só que agora as figuras têm seios, são mulheres. desconfio que minha idéia esteja se dissolvendo cada vez mais.

agora eu não sei o que fazer com uma grande árvore cujo tronco é formado por três mulheres entrelaçadas. mas eu amo a idéia, e quero prosseguir. só que não é mais um projeto para o Embracing the Differences. é algo diferente que ainda não sei o que é.

a palavra veio à minha cabeça do nada: Árvore da Vida.

eureka!! o que poderia ser mais apropriado para uma árvore da vida do que uma árvore feita de mulheres? fico super animada. quase imediatamente começo a desenhar as figuras na placa, usando lápis 2H e HB.


raminhos surgindo de dedos...

é por isso que eu digo que muitas vezes as nossas criações não pertencem realmente à nós. elas parecem ter vida própria. não importa o plano que tracemos para elas, elas podem acabar se tornando uma coisa totalmente diferente. nós artistas somos só um canal.

terminei o lápis hoje, ou pelo menos o que eu chamo "o básico". ao fim do processo eu conserto o que eu julgo serem falhas e realço as sombras usando um lápis mais macio (geralmente 2B ou mesmo 4B, mas nada mais macio que isso).




agora é quando começa a diversão. o próximo passo é criar os abstracionismos e definir os ramos, folhas e outros elementos que eu quero na árvore. confesso que ainda não estou bem certa do que colocar além de pássaros e animais. uma Árvore da Vida é algo importante e merece ser bem pensada a respeito. vamos ver que tipo de insight me vem à cabeça nos próximos dias.

consegui colocar o site de volta ao ar ontem. tudo funcionando direitinho. e nem ficou tão ruim no Internet Explorer, como eu tava prevendo, mas ainda recomendo visualização com o meu queridinho Firefox. o link prá versão em português na home ainda não funciona, o que acontecerá em breve.

trabalhando num retrato:


gosto muito de fazer retratos, porque sou fascinada pela figura humana. os que eu faço eu chamo de Astroportraits, ou Astroretratos, porque são baseados no mapa astral da pessoa. funciona assim: antes de planejar o retrato eu levanto o mapa e identifico os arquétipos e os elementos simbólicos envolvidos, como cores, animais e outros. também peço uma ajudinha ao tarot. na maioria das vezes minha intuição entra em cena, e como não sou nenhuma médium ou psychic, preciso antes conversar com a pessoa retratada para ter certeza de que as imagens que vêm à minha cabeça não são só fruto da minha imaginação, e também por achar super importante que a pessoa participe do processo. gosto que o retrato seja uma espécie de registro dos talentos e de coisas positivas da pessoa, outras vezes, como uma espécie de encorajamento para que ela desenvolva outras qualidades que gostaria. para isso encorajo visualização criativa e um olhar voltado para dentro, como um empurrãozinho para o processo de auto-compreensão.

quando estava testando a técnica fiz o meu retrato e o da minha bebê, que tinha completado um ano de idade. hoje uso os retratos como peças do meu portfolio. foram feitos inteiramente em lápis de cor, mídia que não estou usando mais por consumir muito tempo. hoje uso técnia mista de aquarela, lápis de cor e grafite.

Ariel and the Lion
Ariel e o Leão
Lápis de cor sobre Bristol board,
8.5 x 12

este é o meu auto-astroretrato. eu sou Gêmeos com Leão ascendente e Lua em Escorpião, e um tipo Ar/Àgua. não foi tão fácil assim criar meu próprio retrato, porque eu me identifico com tantos símbolos e elementos que achei melhor deixar a intuição trabalhar a meu favor. nos últimos anos antes de criar esse trabalho eu vivi uma fase de intensas mudanças (que coincidiram com minha mudança de país, casamento e gravidez, tudo ao mesmo tempo) que me fizeram ir fundo dentro de mim mesma e buscar minha força, algo que não me lembro ter feito tão vigorosamente antes. eu me lembro ter feito um desenho meio tosco de um escorpião e um leão, que considero meus dois poderes interiores, grudado o desenho na parede e olhado para ele todas as vezes que eu precisava de força, para me lembrar de que eu já a tinha, que ela estava em mim como parte do que eu era. é claro que as coisas agora estão bem mais tranquilas, mas eu quis que meu retrato fosse um registro constante daquele poder que eu descobri em mim. então desenhei o leão, meu signo ascendente, bem junto de mim, como uma companhia constante (então caiu a ficha de que meu nome, que significa "leão de Deus" em hebraico, não foi me dado por acaso...) este leão nasce da água, do grande oceano de sentimentos que caracterizam os tipos de Água. embora se pense que o povo da água seja frágil devido à sua natureza emocional, eles são extremamente fortes exatamente por causa disso, já que sabem como ninguém como lidar com o mundo dos sentimentos. minha qualidade aérea é representada pela cor amarela e pelas borboletas, que também representam meu signo, Gêmeos. borboletas vão vivamente de um lugar a outro exatamente como geminianos fazem. e como bichos alados também simbolizam liberdade e independência, que é uma das minhas características mais fortes. outra razão por escolher a borboleta é também por ser um dos meus animais-totem favoritos, presentes em vários dos meus trabalhos. borboletas também são símbolos de transformação e renascimento e este é o motivo que as fazem tão especiais aos meus olhos. eu me transformei completamente depois que deixei meu país, foi como uma morte mesmo - uma morte para renascer. essa idéia também é um conceito chave do meu signo lunar, Escorpião. um outro elemento que incorporei ao retrato para representar esse signo é a flor de lotus, graças à sua ligação com situações de reconstrução depois de muita luta e mesmo perda total - o lotus nasce do lodo. também é um símbolo de espiritualidade, algo que é parte integrante da minha vida diária e que me ajuda a levar a vida a despeito de qualquer obstáculo.


Portrait of Isobel and Unicorn

Retrato de Isobel com Unicórnio
Lápis de cor sobre Bristol board,
12 x 8.5

esse é o meu bebê, então com 1 ano de idade - ela não tem mais essa carinha rechonchuda, embora ainda pareça um duende. Isobel é um Sagitário triplo, de Sol, Lua e Ascendente. predominância de Água e Fogo. eu quis que seu retrato tivesse uma qualidade surreal e mágica, que consegui usando cores mais quentes e elementos mais abstratos. eu a retratei como um duendezinho mesmo, até prá dar um toque engraçado, e coloquei um unicórnio para fazê-la companhia: um símbolo mais leve para Sagitário, mais apropriado para o retrato de uma criança do que o tradicional centauro. no fundo, um campo aberto com árvores que lembram corações em chamas. Isobel é toda coração, um espírito cheio de paixão e intensidade (e quanto mais ela cresce, mais isso se torna evidente.) um rio corre através do campo - a qualidade aquática de sua personalidade. diferente do misterioso oceano do meu próprio retrato, as pacíficas águas de Isobel nutrem e refrescam, representando seu lado afetivo e cuidador. do outro lado, um céu profundo, como símbolo do desejo por expansão e liberdade sem limites de Sagitário, mostra dois beija-flores, símbolos do otimismo que é tão característico do signo. nos cabelos, ela usa uma coroa de lotus. embora Isobel não seja exatamente um Escorpião, ela tem um forte alinhamento de planetas neste signo, o que dá a ela um bocado de características escorpianas. suas roupas tem uma parte azul, para a água, e uma vermelha, para o fogo.

como eu disse no meu último post, quando planejei as aquarelas rápidas eu estava na verdade inspirada pelo conceito do One Painting a Day (Uma Pintura por Dia), criado pelo artista americano Duane Keiser e seguido hoje por uma multidão de artistas. a idéia é pintar uma peça pequena por dia, gastando não mais que algumas horinhas, o que para alguns artistas funciona como um desafio e um exercício. mas na verdade o grande atrativo da coisa é a possibilidade de vender pinturas por preços baixos, já que o tempo de execução é pequeno e não pesa muito no preço. assim atrai-se mais compradores, inclusive aqueles que não podem pagar algumas centenas de dólares por um original. acredito que seria uma boa para mim para começar a atrair colecionadores, já que minhas peças maiores gravitam em torno de $380 e $450 dólares. já que estou apenas começando nesse mercado, não acredito que possa cobrar muito mais do que isso.

bom, eu ainda não sei se posso completar uma pintura por dia enquanto trabalho simultaneamente em peças maiores. eu ainda não posso me dar ao luxo de pintar full time. mas nessa primeira tentativa consegui trabalhar em duas peças de 12 x 8.5 polegadas, completando o lápis em um dia e a aquarela no outro - fora os detalhes de uma das peças, que acabou se tornando um segundo Totem. nada mal.

Anemonae + Totem #2

verdade que elas não são muito diferentes do primeiro Totem e de Flourish, como a Nelly bem observou num comentário. a diferença é que, quando eu estava trabalhando nas primeiras, eu estava ainda experimentando uma nova direção para o meu trabalho e elas levaram alguns dias para serem completadas. as mais recentes foram planejadas para serem pinturas rápidas, de um só dia. no fim, trabalhar nessas peças mais simples se revelou divertido e um refresco dos conceitos mais complexos que eu comumente desenvolvo. às vezes tenho um pouco de dificuldade em trabalhar com o simples - culpa da minha lua em Escorpião, que está sempre procurando confusão e me levando para caminhos complicados. mal posso esperar para começar outros!

devo confessar que estou orgulhosa desse aqui. :)

the waterman, panel 2: ignis aeris

the waterman, panel 2: ignis aeris

the waterman, panel 2: ignis aeris

the waterman, panel 2: ignis aeris

the waterman, panel 2: ignis aeris

Ignis Aeris é a pintura da direita do tríptico O Aguadeiro. representa os elementos Fogo e Ar, ou yang, masculinos e ativos. a pintura da esquerda, que devo começar a riscar logo, se chama Terrae Aquae, e representa os elementos ying Terra e Água, femininos e passivos.

não pretendia usar muito simbolismo nas pinturas laterais do tríptico, uma vez que a intenção era mais a de servir como "moldura" e suporte para a pintura central, que decidi chamar de Unio Mystica (a mesma que vocês vêm acompanhando aqui ultimamente, com o Cristo nu.) os quatro elementos são a base do universo físico, ou microcosmo, onde o Divino Espírito se manifesta.

em Ignis Aeris, a figura de base é o Mago do Tarot. ele é o número Um, o poder criativo. sua natureza é bem Ar/Fogo, uma vez que ele possui os dons do intelecto (Ar) e o poder da vontade (Fogo) combinados. eu quis representá-lo usando a pele do Leão de Neméia, assim como Hércules. Hércules é a epítome do herói, aquele cara que tem força de vontade, criatividade, bravura e paixão (todas qualidades do Fogo), assim como habilidades mentais (Ar) em quantidade suficiente para ser bem sucedido no que se propõe a fazer.

outros símbolos que eu usei são as borboletas (para o Ar) e a fênix (para o fogo, representada pela figura do meio com a máscara de pássaro). todo o gestual evoca espiritualidade e conexão com os planos superiores.

foi curioso notar, quando terminei o desenho, que o grupo havia ganhado uma certa aura de Bacchanalia. acho que o deus Baco tem uma conexão muito forte com o Fogo, com todo aquele vinho e êxtase. sem contar que seu culto era também super fora dos padrões e sexualmente indulgente... mais Fogo, impossível.

não tenho progredido de forma muito significativa em O Aguadeiro, já que tenho andado meio distraída com coisinhas domésticas e também com meu novo website. a peça também acabou ficando um pouco mais detalhada do que eu havia planejado, o que sempre consome muito tempo. tenho gostado de trabalhar nela, embora eu tenha uma tendência a desacelerar quando um trabalho toma muito tempo.


the waterman

resolvi mudar os peixinhos na base da pintura. não gostei muito dos que fiz anteriormente, mais abstratos.

the waterman

the waterman

the waterman

acho que deveria começar a trabalhar nos outras duas peças (eu disse que seria um tríptico?) para ver se fcio mais pilhada em continuar o trabalho. assim também dou uma refrescada nos meus olhos. quando você trabalha por muito tempo numa pintura seus olhos tendem a ficar meio cansados, e a visão começa a parecer meio "distorcida". então você começa a fazer julgamentos equivocados: as cores não parecem mais certas, você encontra detalhes que não deveriam mais estar lá, um inferno. numa hora dessas, nada como mudar um pouco o foco.

the waterman

the waterman

the waterman

the waterman

the waterman

the waterman

a etapa a lápis está praticamente terminada, com alguns detalhes para depois. está pronto o suficiente para a primeira demão de aquarela.

The Waterman

the waterman

the waterman

the waterman

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