mas está ficando muito claro para mim, agora, que está sim, na hora em que nós, humanos, comecemos a parar de nos ver no topo da cadeia alimentar e enxergamos os animais como irmãos menores que precisam de nosso auxílio para evoluir. pelo menos em nossa sociedade foi-se o tempo em que os meios de sobrevivência eram escassos e não tínhamos muita opções. hoje em dia temos supermercados abarrotados de coisas e alimentos frescos em qualquer época do ano à altura do braço.
bom, acho que o vídeo me deu o empurrãozinho que faltava, apesar de ter despedaçado o meu coração. não sei o que vai ser daqui prá frente, mas estou praticamente resolvida a abandonar a carne de vez. sei que vai ser um caminho difícil - mas afinal, se consegui me livrar completamente do hábito das carnes vermelhas, há esperança também para as brancas. e se você como eu também precisa de uma ajuda extra para seguir de vez a rota do vegetarianismo, tá aqui a primeira parte do vídeo. mas aviso de antemão, não é para corações fracos.

recebi hoje pela manhã o triste artigo, publicado originalmente no blog Pátria Futebol Clube, a respeito da demolição do terreiro de candomblé Oyá Onipó Neto, um dos mais antigos de Salvador. o texto me trouxe lágrimas aos olhos, de tristeza e revolta. mais um infeliz (e seríssimo) episódio de intolerância religiosa, esse cancro que, em pleno século 21, vem crescendo a olhos vistos, e só mostra o quanto ainda estamos "medievalizados" e longe das palavras do Cristo. sim, senhores, infelizmente o Mestre ainda é um ilustre desconhecido, mesmo - e aparentemente, principalmente - para aqueles que se dizem servi-lo.
não sou candomblecista. tenho um respeito infinito por essa religião antiquíssima, que foi inclusive objeto de um de meus trabalhos de faculdade. o candomblé nao é apenas religião, é história, memória, tradição, raiz. o candomblé é parte do que somos como povo brasileiro, merecia ser tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional (aliás, foi isso o que fiz, fantasiosamente, no tal trabalho.)
assim como respeito o candomblé, também respeito as religiões evangélicas. minha mãe é evangélica, e tenho amigos evangélicos maravilhosos. entendo a razão pelo qual eles se propõem a "salvar" aqueles que, eles acreditam, estarão condenados a uma eternidade de sofrimento no inferno. eu os ouço respeitosamente, absorvo as coisas boas, e rejeito aquelas que não condizem com a minha razão. não coloco meus argumentos na mesa, a não ser quando solicitada - ou quando a insistência é tanta que começa a me dar nos nervos. terminada a prosa, cada um vai para o seu lado, a parte deles está feita, e o que vier depois é uma decisão unicamente minha. se eu optar pela "condenação", isso é um problema meu. qualquer coisa que fizerem além de me alertar sobre os perigos do inferno, já está fora de qualquer esfera do respeito humano, é violência e invasão de privacidade.
quando escolhi não pertencer a nenhuma religião institucionalizada, não apenas o fiz porque a razão e o espírito inquiridor me levaram a outros caminhos, mas principalmente por não admitir seguir regras criadas por seres humanos em surtos de soberba máxima, como essa coisa de querer ser porta-vozes de Deus na Terra. outra: eu conheço a Bíblia. tenho interesse por religião desde criancinha. não a conheço de cabo a rabo, o que seria meio louco, mas o suficiente para reconhecer certas verdades que, infelizmente, e por interesses excusos, são ignoradas por muitos. quero que alguém me aponte onde, em todo o evangelho, Jesus manda seguir esta ou aquela religião como sendo a ideal ou a "certa." no entanto, são essas as pérolas que encontramos:
Mateus, 8:10-12: "E maravilhou-se Jesus, ouvindo isso, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do Ocidente e assentar-se-ão à mesa com Abrãao, e Isaque, e Jacó, no Reino dos Céus; e os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes." (ao ter sido recebido na casa de um centurião romano, um pagão.)
Mateus, 7:21: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus."
João, 14:1-3: "Não se turbe o vosso coração; crede em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar."
e, de quebra, um conselho:
Lucas, 6:36-38: "Sede pois, misericordiosos, como também vosso pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão; dai, e ser-vos-a dado; (...) porque com a mesma medida com que medirdes sereis medidos."
como a pessoa que enviou o email ressaltou, hoje eles destroem centros, amanhã, covens, depois, lojas. e o "filhinhos, amai-vos" (João, 13:34), onde fica?
Labels: opinião, para o mundo que eu quero descer, religião
hoje pela manhã, recebi dois emails do Orkut com o mesmo conteúdo. tratava-se de um email redigido pelo dono da grife Totem, a respeito de um assalto sofrido por ele na avenida Brasil, assim que acabara de deixar o aeroporto do Galeão. fiquei chocada com o email, e pensei tratar-se de um hoax. descobri que não era, ao visitar o blog No Front do Rio, do jornal O Globo. o email estava lá. e com ele, a pavorosa informação de que são mais de 80 veículos roubados na Linha Vermelha naquela mesma área, todos os dias. e que os policiais que patrulham a área nada podem fazer, por causa da precariedade em que trabalham. "Somos apenas fantoches."
tremo quando penso que, amanhã, pode ser meu taxi, ou o carro de algum familiar, me levando prá casa após meu desembarque. e com minha filha dentro. moro há mais de um ano fora do Brasil, depois de 34 vivendo na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. dizem que existe violência em todos os lugares. concordo. mas existem contextos e contextos. sente-se isso na pele. a primeira coisa que me surpreendeu aqui foi a tranquilidade em se caminhar pela rua, em se trafegar numa auto estrada, a porta dos fundos da casa aberta até tarde. as casas não têm muros. o carro do meu marido fica com o porta malas aberto, no quintal. coisas que eu já tinha esquecido serem possíveis, e que não tinha me dado conta de como eram valiosas. pode acontecer de invadirem a casa, de roubarem o carro. mas nós sabemos que a pessoa que fizer isso será pega rapidamente, e punida como se deve. esta é a diferença.
em Washington DC deve entrar em vigor, até o fim desse mês, uma lei que impede que menores de 17 anos, desacompanhados dos pais, fiquem pelas ruas após as dez da noite. o famigerado "toque de recolher". a lei foi criada graças ao envolvimento cada vez maior de menores de idade em crimes. muitos acham a lei questionável, por ferir o direito de ir e vir. minha opinião é de que liberdade e responsabilidade são inseparáveis. se vai fazer bobagem ao ficar solto por aí, melhor que mãos severas o contenham. problemas graves exigem medidas duras. é isso o que não existe no Brasil. eu sempre achei que existisse conivência do governo com o crime, com o tráfico de drogas. ou como se explica a sucessão de absurdos que desfilam diante de nossos olhos, todos os dias, sem que nada se faça, nenhuma medida, governantes que não se justificam diante de quem lhes paga os salários (aliás, o Rio de Janeiro ainda tem "governo"? seria de decência mínima que se retratassem diante do povo português a respeito do assassinato do turista de 19 anos.)
quando digo, por aqui, que sou brasileira, do Rio de Janeiro, as pessoas abrem um sorriso largo. é incrível como, mesmo com todas as notícias horripilantes de violência e injustiças que chegam aqui, as pessoas mantêm sua simpatia pelo Brasil. mas quando manifestam sua vontade de visitar o Rio, mesmo com alguma vergonha, desencorajo veementemente. quem sabe não estarei compactuando com a próxima desgraça.
Labels: para o mundo que eu quero descer
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