
tava dando uma googlada no meu nome e achei umas imagens minhas sendo usadas para ilustrar artigos de blogs e fazendo parte de diretórios de arte e ilustração. tem site em francês e do leste europeu, escritos naquelas línguas misteriosas. não recebi pedidos de autorização, mas se as imagens estão sendo usada com propósitos justos e com os devidos créditos, não ligo. acho até positivo. os artigos eram de blogs feministas. adorei ver principalmente O Grito ilustrando artigos a respeito de violência contra a mulher. menos de um mês de nascido e já está rodando por aí e cumprindo o fim a que se destina. que bom! isso para mim é um grande incentivo para continuar criando trabalhos que apoiem causas e provoquem reflexões.
como já disse anteriormente, sou particularmente sensível às questões que envolvem o feminino. meu trabalho, apesar da temática simbolista/metafísica, esteticamente sempre foi muito orientado para a representação da figura feminina. então ele acaba tendo também uma função de female empowerment. como eu mesma explico na minha declaração de artista, que vou publicar aqui qualquer dia, apesar da carga de erotismo, minhas mulheres não são femme fatales, mas deusas, bruxas e sacerdotisas. são senhoras de mistérios, aquelas que conhecem segredos de vida e morte, que carregam a vida e a celebram.
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se você entender feminista como alguém que se indigna contras as injustiças cometidas contra as mulheres, que briga pela diluição do patriarcalismo, que não se deixa levar pelas imposições sociais e segue seu próprio caminho, eu sou feminista, sim. mas na verdade, eu sou é uma militante pelo amor, pela vida, liberdade, respeito e justiça. discordo das idéias de muitas feministas "oficiais"; não sou a favor do aborto, salvo em circunstâncias especiais; acho que mulheres e homens são "iguais" por serem ambos humanos e dignos de reconhecimento e respeito, mas seus papéis são diferentes. e graças ao casamento, que derrubou um bocado de idéias deturpadas e até alguns preconceitozinhos que eu tinha, aprendi que não é vergonha nem significa opressão, por exemplo, ficar em casa cuidando do bebê full time enquanto o marido traz o dinheiro para casa. por que eu era assim, levando tudo a ponta de faca. achava vergonhoso não trabalhar e ser sustentada por um homem, esse ser involuído (embora depois de quase 4 anos de casamento não tenha ainda conseguido me sentir 100% confortável com a situação, pelo menos não acho mais vergonhoso.) também parei de criticar as donas de casa, aquelas criaturas intelectualmente inferiores que vivem para agradar seus homens. o trabalho doméstico é brabo, pessoas, e sem direito a fins-de-semana e remuneração em espécie. e se tem mulher que curte, que faz por amor, e se tudo o que é feito por amor vale a pena, porquê criticar? você pode até dizer que elas vivem sob um comportamento imposto, que faz tudo parecer muito "normal" e que é assim que deve ser, que a felicidade doméstica que elas experimentam é uma felicidade pasteurizada, e pode ser que você esteja certo. mas eu vou te dizer uma coisa: eu não me considero uma pessoa desaculturada nem desinformada, tenho pavor de panelas mas te digo que é bom, sim, cuidar das pessoas que você ama e vê-los felizes com algo que você proveu. meu marido me respeita e jamais me impôs o que quer que seja (se assim fosse garanto que não estaríamos mais juntos), e ele também tem suas tarefas domésticas - embora as minhas ainda sejam maiores, nada é perfeito -, mas eu não me considero de forma nenhuma estar vivendo de forma opressiva. principalmente porque também batalho por uma carreira, o que para mim é importantíssimo, e sou em tudo ajudada e apoiada por ele. seria outra coisa se ele me dissesse "prá que você quer pintar e dar aulas se eu te dou tudo o que você precisa?". isso sim soaria machista e opressor. acho que aqui somos mais como um time, onde todo mundo se ajuda e se respeita. mas e se eu não esquentasse a cabeça com carreira e me sentisse totalmente realizada no lar, e aí? não é coisa lá muito sábia, acho que todo mundo precisa ter um meio de prover para si mesmo, já que não sabemos o que pode acontecer amanhã, mas cada um com seu cada um. não dá prá levar tudo tão a ferro e fogo. a chave de tudo nessa vida é o equilíbrio, e até ideologias precisam de moderação e bom senso.
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no fundo, acho que viver sob bandeiras ideológicas também é uma espécie de prisão. luta-se tanto contra a opressão disso e daquilo, e acaba-se vivendo sob a opressão das idéias. deixa-se de casar porque o casamento é uma instituição de dominação feminina, mas também deixa-se de experimentar felicidades simples que apenas o convívio com quem se ama pode trazer. deixa-se de gerar um filho porque não se quer perder o controle e o direito sobre o próprio corpo, mas deixa-se de experimentar a maior e mais gratificante forma de amor que existe. idéias não são criadas para que as pessoas as sirvam, mas para servir às pessoas. e pessoas são seres humanos com corpo, cabeça e coração. elas têm prazer e dor. por isso a necessidade de se conhecer, de se compreender, para se fazer boas escolhas baseadas em si mesmas, e não em ismos.
Pregnant Woman with Man,
Gustav Klimt
Labels: arte engajada, feminino pleno, o grito, opinião
se você é professor, seria uma boa mostrar esse videozinho pros seus alunos. dá pé, é só usar a criatividade para encaixar na sua disciplina. é sempre mais fácil plantar a semente cedo, o que não quer dizer que nós também não possamos mudar, é só ter um pouco de boa vontade.
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sempre fui uma pessoa bastante frugal nos meus hábitos de consumo. não foi algo aprendido, não é para bancar a politicamente correta, mas algo que nasceu comigo. sou pão-dura, não gosto de esbanjar dinheiro nem de ostentação. nunca vi graça em ter coisas das quais eu não precisava tanto assim, sempre desprezei modismos e minhas coisas geralmente duram vários anos - algumas, como sapatos ou bolsas, quando se tornam irremediavelmente impróprias para consumo, até me fazem lamentar não ter comprado uma cópia para continuar usando.
me casei com uma pessoa que também não dá importância a ter um mundo de coisas, nem ter o que não precisa só prá se "encaixar" (ok, compra mais livros em um mês do que pode ler em um ano, mas livro é livro, né?). estamos longe de ser ricos, não temos muitas das coisas que a família americana padrão tem - dois carros na garagem, por exemplo - mas na nossa frugalidade vivemos muito bem, obrigada. sem essa de ficar criando necessidades desnecessárias (já basta a conexão wi-fi, que desde que entrou aqui em casa se tornou impensável não tê-la.)
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também tenho pensado mais cuidadosamente na necessidade de se reciclar coisas. não apenas o óbvio, como papel, pilhas, latas, etc., mas objetos mesmo. a umas semanas atrás aceitamos a doação de móveis de quarto para a pequena, vinda de um amigo. os móveis não são nem de longe o que eu queria para ela - são rococó e girlie ao extremo - mas é só usar a imaginação para fazê-los funcionar. retirei os detalhes mais pomposos, como o espelho do gaveteiro (que eles chamam de dresser) e os posts da cama (aqueles postes colocados nos quatro cantos da armação da cama cuja utilidade eu ainda não descobri e que acho um horror.) uma ou duas demãos de tinta branca all over e poupamos o planeta de mais um pouquinho de lixo.
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umas das primeiras coisas que percebi desde que cheguei aqui na América é esse consumismo descrito no vídeo. as pessoas compram alucinadamente, já que as coisas em geral são muito baratinhas - veja o vídeo também para entender o porquê. é só entrar num Wal Mart qualquer da vida prá descobrir um monte de coisas que você estava justamente "precisando"... e que em poucos meses vão para o lixo, ou para o Good Will mais próximo (espécie de loja de caridade que explora justamente esse lado do americano de descartar as coisas das quais não precisa ou não quer mais, e que acaba fazendo as pessoas se sentirem menos culpadas pelo consumismo louco). afinal, o "lixo" de uns pode ser o tesouro de outros...
aqui cada casa tem seu "building", uma espécie de casinha que fica no fundo do quintal e que serve só prá guardar tralha. é tanta coisa inútil que existem até conteineres de aluguel para o povo guardar seus excessos.
uma prática legal deles para passar para frente o que não precisam mais são os "yard sales", ou "garage sales". monta-se uma espécie de feirinha no quintal com os artigos, e vende-se para os passantes por um preço bem baratinho. aqui na vizinhança sempre tem algum, mas sempre fui muito tímida para visitar.
- pense bem antes de comprar por impulso, ou só porque você não queria perder a liquidação, ou porque você resolveu acompanhar a amiga naquela loja de grife e não queria ficar por baixo saindo de lá de mãos vazias.
- sempre que puder, recicle. invente formas novas de se usar aqueles velhos móveis, ou aquela roupa que você já cansou mas que ainda está em bom estado. às vezes, certos objetos podem ganhar funções novas e se transformarem em outros totalmente inusitados.
- separe o seu lixo. orgânicos de um lado, recicláveis (latas, papéis) de outro. não dá trabalho.
- sempre que puder, valorize e prestigie a produção artesanal.
- todos os dias, permaneça no chuveiro cinco minutinhos a menos. procure reaproveitar a água para outros fins. não deixe as torneiras escorrendo. e pare de lavar a calçada com água limpa da torneira.
- deixe prá beber água engarrafada na rua, quando não há outra alternativa prá matar a sede. em casa valorize a água da torneira - devidamente filtrada, é claro.
- apague as luzes dos cômodos da casa onde não há ninguém no momento. substitua suas lâmpadas comuns pelas fluorescentes.
- reaproveite folhas de papéis usadas apenas de um lado fazendo, por exemplo, bloquinhos de notas ou rascunho. como eu sou desenhista e uso muito papel, geralmente aproveito o meu para estudos ou corto em quadradinhos, para usar como provas de aquarela. o que não dá mais mesmo para usar vai para reciclagem.
- dê mais valor ao seu direito de voto. apoie candidatos realmente comprometidos com a causa ecológica.
- espalhe o videozinho "A história das coisas" por aí.
- você está vivendo tempos formidáveis, onde temos total acesso à liberdade de expressão através dessa maravilha que é a internet. aproveite: crie um blog, expresse suas opiniões, espalhe suas dicas de como ajudar a tornar o planeta mais legal de se viver.
Labels: opinião, vida, vida green, vida na América
ando com a energia muito, muito em baixa. quase duas semanas com ataques de alergia, graças a um bagulho que meu marido comprou para espantar moscas - desde que o back porch foi abaixo, não posso fritar um ovo sem que milhares delas invadam a casa. pendura-se o negócio, e ele emana uns vapores mortíferos, que are supposed to be imperceptíveis para os humanos e animais. não foi para mim, parece. não tive outra alternativa a não ser livrar a casa do objeto de terror. estava vendo a hora de cair dura no chão da cozinha, envenenada por um mata-moscas.
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mas esse trânsito de Netuno sobre o meu sol está me deixando bem desvitalizada. e olha que é um chamado trânsito "benéfico". mais ou menos eu sabia que ia me sentir desse jeito, mas não fiz muita coisa prá neutralizar o bagulho. eu não sou uma astrology freak, aquele tipo que não põe o pé prá fora da cama sem antes consultar os astros. acho mais saudável deixar as coisas seguirem o seu fluxo. só olho mesmo o céu quando começo a perceber "padrões" nas coisas, prá buscar uma explicação, ou antes de tomar alguma decisão importante prá saber se a energia do momento é favorável.
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isso aí embaixo me deixou felizona.
"Estive profundamente envolvido em certos comitês e programas de pesquisa com cientistas muito confiáveis e várias pessoas da inteligência que sabem da verdadeira história e não hesito em falar sobre isto. Nós temos sido visitados." Perguntado se as visitas são regulares, ou acidentais, ele respondeu "há alguns contatos acontecendo. Não sei dizer ao certo pois não é minha área de interesse. Mas o fato de que temos sido visitados, que o Caso Roswell é real e que um número de outros contatos foram reais e ainda acontecem é bastante conhecido por pessoas como eu que foram informadas e acompanham os casos de perto."
Extrato do excelente Saindo da Matrix.
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é claro que tem muita gente que não acredita. eu sempre achei um absurdo total que nesse universo todo só existisse um planeta habitado, e ainda por cima o nosso, de uma humanidade tão atrasada e primitiva em certos aspectos que às vezes me dá vontade de rezar prá ser abduzida. as evidências são tantas que não dá prá levantar pelo menos uma reflexão sobre o assunto. agora eu tô duvidando um pouco de que o governo americano vá realmente abrir parte de seus arquivos. jogar a verdade na cara da humanidade significaria uma mudança extra-radical que afetaria todo o status quo. e tá bom que as grandes coorporações vão querer abrir mão de perder o domínio sobre as mentes... sem contar que a maioria das pessoas ainda prefere descansar no seu sono milenar e acreditar que estão muito bem, obrigada, e que não precisam mexer o traseiro para ver as coisas mudarem.
eu sinceramente acho muito melhor que a verdade sobre os UFOS e extra-terrestres venha à tona, que sistemas caiam, que gente se suicide por reconhecer que aquilo em que acreditaram a vida inteira era falso, do que ver a humanidade sendo devastada por catástrofes coletivas - que tem sido infelizmente o meio mais eficiente de fazer as pessoas se sentirem "incomodadas"...

recebi hoje pela manhã o triste artigo, publicado originalmente no blog Pátria Futebol Clube, a respeito da demolição do terreiro de candomblé Oyá Onipó Neto, um dos mais antigos de Salvador. o texto me trouxe lágrimas aos olhos, de tristeza e revolta. mais um infeliz (e seríssimo) episódio de intolerância religiosa, esse cancro que, em pleno século 21, vem crescendo a olhos vistos, e só mostra o quanto ainda estamos "medievalizados" e longe das palavras do Cristo. sim, senhores, infelizmente o Mestre ainda é um ilustre desconhecido, mesmo - e aparentemente, principalmente - para aqueles que se dizem servi-lo.
não sou candomblecista. tenho um respeito infinito por essa religião antiquíssima, que foi inclusive objeto de um de meus trabalhos de faculdade. o candomblé nao é apenas religião, é história, memória, tradição, raiz. o candomblé é parte do que somos como povo brasileiro, merecia ser tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional (aliás, foi isso o que fiz, fantasiosamente, no tal trabalho.)
assim como respeito o candomblé, também respeito as religiões evangélicas. minha mãe é evangélica, e tenho amigos evangélicos maravilhosos. entendo a razão pelo qual eles se propõem a "salvar" aqueles que, eles acreditam, estarão condenados a uma eternidade de sofrimento no inferno. eu os ouço respeitosamente, absorvo as coisas boas, e rejeito aquelas que não condizem com a minha razão. não coloco meus argumentos na mesa, a não ser quando solicitada - ou quando a insistência é tanta que começa a me dar nos nervos. terminada a prosa, cada um vai para o seu lado, a parte deles está feita, e o que vier depois é uma decisão unicamente minha. se eu optar pela "condenação", isso é um problema meu. qualquer coisa que fizerem além de me alertar sobre os perigos do inferno, já está fora de qualquer esfera do respeito humano, é violência e invasão de privacidade.
quando escolhi não pertencer a nenhuma religião institucionalizada, não apenas o fiz porque a razão e o espírito inquiridor me levaram a outros caminhos, mas principalmente por não admitir seguir regras criadas por seres humanos em surtos de soberba máxima, como essa coisa de querer ser porta-vozes de Deus na Terra. outra: eu conheço a Bíblia. tenho interesse por religião desde criancinha. não a conheço de cabo a rabo, o que seria meio louco, mas o suficiente para reconhecer certas verdades que, infelizmente, e por interesses excusos, são ignoradas por muitos. quero que alguém me aponte onde, em todo o evangelho, Jesus manda seguir esta ou aquela religião como sendo a ideal ou a "certa." no entanto, são essas as pérolas que encontramos:
Mateus, 8:10-12: "E maravilhou-se Jesus, ouvindo isso, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do Ocidente e assentar-se-ão à mesa com Abrãao, e Isaque, e Jacó, no Reino dos Céus; e os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes." (ao ter sido recebido na casa de um centurião romano, um pagão.)
Mateus, 7:21: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus."
João, 14:1-3: "Não se turbe o vosso coração; crede em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar."
e, de quebra, um conselho:
Lucas, 6:36-38: "Sede pois, misericordiosos, como também vosso pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão; dai, e ser-vos-a dado; (...) porque com a mesma medida com que medirdes sereis medidos."
como a pessoa que enviou o email ressaltou, hoje eles destroem centros, amanhã, covens, depois, lojas. e o "filhinhos, amai-vos" (João, 13:34), onde fica?
Labels: opinião, para o mundo que eu quero descer, religião
a um tempo atrás eu costumava ser muito radical a respeito desse assunto. a questão do aborto, ou qualquer outra que diga respeito à crianças e seus direitos sempre me tocaram muito profundamente. costumava criticar ferozmente qualquer postura pro-aborto. hoje, mesmo continuando radicalmente contra, prefiro analisar a coisa sob outros ângulos. prefiro a solidariedade antes de apontar o dedo acusador para alguém que viveu uma experiência da qual eu não tenho a menor idéia.
eu não gostaria de estar na pele da mulher que engravida sem condições de levar a gestação adiante por motivos justos. posso imaginar o desespero de quem não sabe se amanhã haverá comida na mesa para si próprio constatando que vem chegando outra boquinha para alimentar. também não quero estar na pele da mulher que, apesar do coração gritar não, foi forçada pelas circunstâncias, sejam elas quais forem, a arrancar o filhinho do ventre, e que fica com aquela marca a vida inteira, doendo fundo. tenho profundo respeito e solidariedade a essas mulheres e às suas dores que nós não sabemos.
acredito que a postura frente ao aborto depende muito do ponto de vista de cada um em relação à vida, de filosofias e de crenças. uma pessoa cuja visão de vida seja essencialmente materialista vai ser totalmente a favor. que não há o menor problema em se extirpar o que se considera ser apenas uma massa de células sem sensibilidade. como eu não entendo um embrião como uma massa de células sem sensibilidade, mas como o germen do que em pouco tempo será um ser humano, e com um espírito já ligado a ele desde a concepção, aborto para mim, é matar, é negar à outra pessoa o direto à vida. eu aprendi que é preciso amar o meu próximo. e por amar eu entendo, entre outras coisas, não matar.
mas, como eu disse, tudo é uma questão de filosofia de vida. não saberemos quem está certo a não ser que a ciência avance até provar que o embrião é só um embrião, ou é algo mais complexo. enquanto isso, mesmo tendo cá as minhas certezas, fico com o "não matarás".
sobre a legalização do aborto, não tenho uma opinião formada, já que acredito que cada pessoa tem o direito de fazer o que quiser de sua vida. é para isso que existe o livre-arbítrio, e não vou entrar aqui no mérito de seu bom ou mal uso. no entanto, cada vez mais acredito ser uma tremenda barca furada. pode ter até o seu lado bom, que é o de encerrar muita atividade criminosa, fechando clínicas clandestinas e prendendo um bocado de gente "boa", mas também existe o perigo de ser transformado em método contraceptivo e eximir de vez o estado e a família de suas responsabilidades. me dá medo, parece método eugênico, coisa de nazista, sabe. vai trazer problemas? vai lá e mata. simples assim. afinal, é o Brasil. então tá. aborto vira a única alternativa para a mulher pobre e ignorante que engravida sem querer. violência para remediar outra violência, que é a do Estado contra seus cidadãos. uma vergonha.
quisera que a energia e a grana investida nas campanhas pró-aborto fossem utilizadas para um outro tipo de campanha, a do respeito à mulher que engravida sem querer e ao seu filhinho, reinvindicando-lhes auxílio material e psicológico. à conscientização de que o corpo e as funções reprodutivas precisam ser respeitados e assegurados.
e sobre o discursinho esfarrapado e pseudo-liberal do "a mulher tem o direito sobre seu próprio corpo", acho que é egoísta e fútil. sem contar que vem arrastando uma massa de menininhas ainda inexperientes, cabecinhas cheias de "cultura de internet", que passam a acreditar que são muito "in", espertas e liberadas por defender a idéia de que ser mulher de verdade é ter direito ao sexo livre, totalmente isentas de responsabilidade. e de amor. coisa perigosa, essa.
gravidez é coisa muito séria, e não pode ser vista como algo que se pode ficar livre num abrir e piscar de olhos, como se fosse uma roupa que se pode devolver prá loja depois de comprada. não, meu coração não consegue ser solidário com quem acha que fazer aborto por conveniência é legal e aceitável, sorry.
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hoje, dia das crianças no Brasil, a primeira coisa que fiz assim que minha filha abriu os olhos, pela manhã, foi enchè-la de beijos e agradecê-la por ter entrado na minha vida. mesmo tendo chegado sem planejamento, num momento difícil, de recomeço e reconstrução, eu digo que valeu a pena. ela foi a inspiração que eu precisava para mudar minha vida, para correr atrás do que eu realmente quero, para ser uma pessoa melhor e diferente. e essa inspiração, força e amor que desejo à todas as mulheres que se encontram na difícil situação de terem engravidado na hora "errada"... acreditem, não existe a hora errada. não existem dificuldades onde sobra amor.
Labels: espiritualismo, feminino pleno, maternidade, opinião
tudo bem, eu confesso: não fui muito feliz quando escrevi, ali embaixo, que cargos políticos deveriam exigir curso superior. afinal, quantos diplomados a gente não vê por aí que são completamente ignorantes nas coisas do coração?
liguem não, isso é mal de professora. às vezes não sei se estou errada ou certa em achar que educação é fundamental, um direito de todo mundo, e quanto mais, melhor. de tanto que leio o pessoal falando por aí que é elitista achar que todo mundo deveria ser educado e esclarecido, acabei me achando meio metida a besta.
mas continuo não gostando de paternalismo. coisas do tipo "coitadinho, não estudou porque é pobre" ou "ele rouba porque a sociedade não lhe deu condições". eu acredito que não existem privilegiados, existem aqueles que suam mais, que sonham mais, que trabalham mais. que tudo vale a pena se a alma não é pequena.
e, apesar dos pesares, confesso que senti um alívio com a vitória do Lula. afinal, nunca pensei que fosse viver prá ver a dívida do Brasil com o FMI paga.
eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades...
0 falas por Ariel a 11:10 PMa primeira vez que votei na vida foi na primeira eleição direta prá presidente do Brasil. eu devia ter uns 18 anos. lembro-me que anulei meu voto com um um redondo "A" de anarquia, aquele famoso. não sabia bem o que era anarquia, nem tampouco tinha muita idéia de que estava abrindo mão de um direito conquistado a duras penas. fui votar porque assim ordenava o Estado. era a democracia, diziam.
o tempo passou, outras eleições vieram, e o que antes não passava de uma grande maçada passou aos poucos a ser tarefa séria, pensada, debatida e, porque não dizer, tinha até seus momentos de diversão. o horário eleitoral gratuito passou a ser um must das minhas noites, não só para análise dos candidatos, como também para entretenimento - vá lá, poucas coisas são tão bizarras e engraçadas na tv hoje em dia. o ritual de ir às urnas era cumprido com respeito, apesar dos muitos minutos a pé sob o sol escaldante da primavera da Baixada Fluminense. com tanto respeito que me sentia realmente ofendida quando a multidão que se aglomerava nas ruas me cercava para oferecer "santinhos". "a senhora já tem candidato?" - a pergunta me fazia ferver o sangue, reduzia-me à massa dos que votavam por obrigação, que muitas vezes escolhe candidato à boca da urna prá se livrar do "dever democrático" e ir tomar suas skols depois. apesar de ter encarado tudo como tarefa séria, pensada, debatida, a sensação pós-votação era sempre de anti-clímax. era como ter participado de uma farsa. não tinha graça nenhuma.
este foi o primeiro ano em que não votei prá presidente do Brasil. tenho acompanhado, do jeito que dá, a movimentação eleitoral pela tela do computador, através dos jornais onlines e blogs. sei mais ou menos em que pé as coisas estão, sei do desalento de um grupo que mais uma vez vê a massa faminta e ignorante decidir por todos. e também de um outro grupo que acha que o PT no poder trouxe à tona preconceitos da época da colônia que rezam que operários não podem governar.
eu acho que cargos políticos são tão sérios que não deveriam ser dados a quem não tem no mínimo um curso superior. do mesmo jeito que prá ser médico, advogado ou professor é preciso estudo - afinal, todos lidam com gente, e gente é coisa séria. não pelo título, mas pela vivência que os bancos universitários proporcionam, pela abertura de racocínio a qual eles te impelem. elistista? não acho. a menos que você considere que universidade é só prá ricos. uma das minhas broncas com o Lula não é o fato de ele ter sido um operário, pois eu também nunca fui rica e nem ao menos classe média. é o fato de ele ter tido tantas oportunidades de enriquecer-se como ser humano através do estudo e não tê-lo feito. belo exemplo prá população que o elegeu.
no mais, continua tudo na mesma. claro que tivemos umas mudancinhas, mas elas vieram a passo de tartaruga. as cabeças pensantes ainda são uma minoria, quem elege nossos representantes é, sim, o povo que não pode compreender que há muito mais além de uma refeição a um real ou de uma bolsa-família, porque os estômagos continuam roncando e os filhos continuam chorando de fome apesar de tantas décadas de promessas. é preciso que seja assim, para manter as mesmas elites no poder. e quem não é elite quer ser, quem nunca comeu melado quando come se lambuza, e taí o PT que não nega a sabedoria popular. outros elegem Clodovis e, apesar do passado, Malufs e Collors. eu reafirmo cada vez mais a minha teoria de que os governos são reflexos de quem os elege, logo, se quisermos mudanças de verdade, precisamos começar a mudar a nós mesmos. esse é a nossa grande tarefa para o momento. ou será que você, que reclama do governo, passaria incólume a uma oferta de 30 milhões para votar a favor dele?
eu não vou votar prá presidente esse ano, graças às dificuldades geográficas e burocráticas que as embaixadas brasileiras impõem a quem deviam facilitar a vida em terra estrangeira. não tenho condições financeiras nem físicas (graças à gravidez) de pegar um avião (quantas vezes? duas? três?) e rumar para Washington, onde fica a embaixada da jurisdição onde moro, para assinar papéis e assim poder cumprir com meus deveres de cidadã. eu gosto de votar, gosto de participar dos rumos do meu país, mas sinceramente desta vez não estou lamentando muito o fato de não poder comparecer às urnas. as notícias que leio todos os dias nos jornais online não são nada animadoras; nenhum candidato entusiasma, consegue atrair a atenção, todos têm a mesma aura de "já vi esse filme antes". mesmo longe, consigo perceber uma certa atmosfera de desalento e desânimo pairando sobre o povo brasileiro, o que pode ser desastroso. ninguém acredita mais em políticos, classe já estereotipada, caricatural, e seu circo tragicômico. então é isso: materializou-se o sonho carnavalesco e o Brasil virou uma grande pantomima, com seus Arlecchinos e Pantaleones e histórias já tão gastas que doem, e não há coragem para tranformar o desalento em revolta.
e antes que eu me esqueça, sou a favor do voto nulo. não acho que há mais tempo de votar no "menos pior" (a quantos mandatos temos feito isso?). há que haver uma hora de protestar.
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