
Lírio D´água (Waterlily) foi uma agrável surpresa prá mim, uma vez que cheguei a acreditar que não era mais capaz de trabalhar com cores suaves. tenho perseguido um estilo mais etéreo, limpo e leve por algum tempo e eis que, de repente, ele finalmente surgiu com esse trabalho. novamente, consegui exatamente o que queria por trabalhar sem senso de compromisso ou preocupação com qualidade ou propósito simbólico. desconfio que estou chegando perto de alguma coisa muito excitante... :)
outra coisa que tem sido difícil de controlar é a complexidade de certos temas que eu planejo trabalhar. a pintura termina sempre muito detalhada e por causa disso eu acabo fugindo de minhas aspirações estilísticas. então acho que tenho que aprender a me expressar usando elementos simples mas poderosos. e exatamente por causa dessa complexidade que acaba me frustrando tive que colocar Nossa Senhora dos Anjos Idos de Lado. acho que precisa de mais estudo, e as cores por alguma razão não parecem as certas. aliás, essa é uma grande falha minha, não estudar minhas pinturas suficientemente. basta uma idéia, uma pesquisinha de nada, e vamos jogar tudo na prancha e entregar a Deus. o jeito é ter calma por enquanto e continuar experimentando...
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a Lolla dedicou-me um feature fofo no seu lindíssimo blog, do qual sou fã a um bocado de tempo. considerando que ela é sabidamente uma das meninas de maior sensibilidade prá coisas bonitas da web, ser citada no seu blog é uma honra enorme. thanks, Lolla!
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e prá terminar, meme copiado da Dee.
1. Mania: roer unhas.
2. Pecado capital: uma certa avareza light. sou pão-dura.
3. Melhor cheiro do mundo: concordo com a Dee: café! não só porque eu amo café, mas por ativar minha memória afetiva imediatamente.
4. Se dinheiro não fosse problema, eu faria: um grande centro de artes, cultura e terapias alternativas, com mensalidades e consultas super baratinhas para atingir as pessoas de baixa renda.
5. Casos de infância: uma vez tentei roubar um pacote de chicletes do supermercado, arrastando-o com meu pé até a saída. desisti antes de completar a façanha e fiquei com uma vergonha enorme de mim mesma depois.
6. Habilidade como dona de casa: hmmmm.... fazer café conta?
7. O que eu não gosto de fazer em casa: T-U-D-O. tolero limpeza porque de certa forma é terapêutico prá mim, é como se limpando coisas eu também me limpasse por dentro, sei lá. mas a pior coisa mesmo é lidar com roupas. graças a Deus pelas máquinas de lavar e secar, porque se eu tivesse que fazer isso prá marmanjo juro por Deus que não teria casado. mas enfim, meu marido é quem lida com essa parte aqui em casa. e não passo roupa a ferro nem por um decreto, só as minhas, e na hora de vestir.
8. Frase: amo a do Jung, "Quem olha prá fora,sonha; quem olha prá dentro, desperta."
9. Passeio para o corpo: sair à noite prá dançar.
10. Passeio para a alma: Petrópolis, que é e sempre vai ser minha cidade favorita.
11. O que me irrita: falta de educação.
12. Frase ou palavra que fala muito: em inglês: "Jesus Christ!", "oh my gosh!". em português: "putz!"
13. Palavrão mais usado: shit. perdi a habilidade de falar palavrão em português.
14. Desce do salto e sobe o morro quando: não sei, eu sou muito zen, e é preciso MUITO prá me irritar. mas perco a paciência com mais facilidade quando estou muito cansada ou sobrecarregada e as pessoas ao redor não tão nem aí (coisa que acontece muito na minha vida, deve ser carma.)
15. Talento oculto: construir coisas. tenho boa noção espacial.
16. Não importa que seja moda, não usaria nem no meu enterro: muita coisa, sou a maior chata com roupa. mas o fim da picada prá mim é roupa de tchutchuca. tipo topzinho com calça jeans mostrando o útero e sandalinha alta. nem sob tortura.
17. Queria ter nascido sabendo: tocar violão.
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há umas duas semanas atrás comecei a sentir uma imperiosa vontade de trabalhar numa peça sobre aborto. cheguei a fazer um trabalho de ilustração meio nouveau a alguns anos, mas nada perto desse trabalho que comecei a desenvolver no início dessa semana e que resolvi chamar Nossa Senhora dos Anjos Idos.
escrever esse post foi muito difícil, uma vez que me vieram a cabeça uma série de questionamentos que levaram a outros que levaram a outros... quem me conhece sabe que minha postura em relação ao aborto é irredutível: sou super pro life, e me entristece saber que esse termo hoje em dia ficou associado a pessoas retrógradas e conservadoras. mas pela minha forma de ver a vida - espiritualista convicta - não poderia jamais ser de outra maneira, já que o espiritualismo te faz ver a vida de forma multidimensional, sem as limitações do materialismo. mas essa é minha visão, e não desejo de maneira nenhuma empurrar isso prás pessoas como sendo a única verdade que existe. enquanto não houver um consenso entre a comunidade científica a respeito de onde começa a vida, fica muito difícil saber a verdade dos fatos. mesmo sendo muito sensível a essa questão, que me causa um misto de revolta, compaixão e tristeza, tentei resistir a tentação de fazer um trabalho panfletário, o que seria muito chato, e depois de alguma reflexão concluí o quanto é difícil trabalhar com um assunto tão delicado e tão cheio de contradições. resolvi então usar mais o meu emocional do que a razão e me abster de dar opiniões. minha idéia foi então converter o trabalho numa espécie de prece visual, não apenas pelos espíritos interrompidos em seu processo reincarnatório como pelas mães que por uma ou outra razão se vêem obrigadas a interromper esse processo, que por suas profundas implicações a nível espiritual não são passíveis de ocorrer sem alguma forma de dor.
como quase sempre acontece, o trabalho toma suas próprias rédeas e eu apenas me deixo conduzir. a princípio imaginei uma espécie de entidade elevada, uma santa mesmo, que cuidaria dos pequenos espíritos e das mães em sofrimento. algo como a compaixão personificada. não deu certo. o rosto que apareceu não foi lá muito suave, mas antes até mesmo um pouco severo. ela se cobre de forma displicente com uma espécie de manto escuro, por onde o coração dourado transparece. achei importante o coração... porque o melhor juiz para esse tipo de questão só pode ser o amor, né? outra coisa que me veio e que achei bastante interessante foram os cabelos... que vieram como enormes raízes de uma velha árvore, ou como tentáculos, ou ainda como serpentes... descendo sobre duas figuras femininas mascaradas que estão como a pedir abrigo sob as vestes da santa, ou deusa.
existe um mito que é visto como o polo oposto da Grande Mãe doadora, que é o da Mãe Terrível. esse mito representa o domínio dos instintos e dos poderes do inconsciente que não se encontram controlados pelo ego. a Mãe Terrível não nutre nem protege; ela é a negadora do feminino em seu polo positivo, castrando, reprimindo e até mesmo matando seus filhos. ela é representada em diferentes culturas como deusas negras e destrutivas, como a deusa hindu Kali, a balinesa Ranga, ou ainda como górgonas. as madrastas e bruxas dos contos de fadas também são relacionadas a esse aspecto da Deusa. todas essas deusas são identficadas com répteis, aranhas ou cobras (engraçado como minha figura inicialmente me lembrou mesmo a Medusa...) enfim, acabei encontrando nela uma grande identificação com esse mito e ainda estou em dúvida se ela deveria ser mesmo uma deusa consoladora ou refletir inteiramente o aspecto negativo do feminino. (notem que no mundo dos mitos e na natureza não existe essa conotação maniqueísta de negativo = mau e positivo = bom. e que minha tentativa de questionamento aqui no post não pretende ser de maneira nenhuma acusatória, como se a Mãe Terrível fosse a malvadona e a Mãe Criadora a boazinha-doadora. as duas são aspectos da Grande Mãe e contém em si aspectos da psique que estão presentes em todas as mulheres.)
intrigante essa relação do aborto com o mito da Mãe Terrível. acredito que a reflexão sobre esse arquétipo possibilite trazer à luz um pouco da psique das mulheres que por um ou outro motivo se neguem a desenvolver a faceta criadora do feminino (vejam bem que essa posição não envolve o aborto terapêutico, mas o aborto que ocorre por livre vontade da própria mãe, por motivos os mais diversos). respeito muito a posição das mulheres que não desejam ter filhos, que não sentem a menor conexão com a maternidade (embora não acho que isso justifique o aborto), mas acho perigosa a visão de muitas feministas que acham que fazer aborto é sinal de liberação e controle sobre o próprio corpo e sobre seu comportamento sexual. acho bem revelador esse trecho de um dos meus livros de cabeceira, "Jung e o Tarô - Uma Jornada Arquetípica", da Sallie Nicholls, quando ela fala da Imperatriz, arcano que é o arquétipo da completude feminina:
O aspecto devorador da deusa torna-se aparente toda a vez que a mulher negligencia o seu verdadeiro reino, que é o relacionamento, e se torna faminta de poder; nesse momento ela vira realmente a devoradora do homem. Sua força, que já não é a força sutil do amor, transforma-se no amor estridente do poder. (...) Fascinadas pelo poder, muitas mulheres deram a impressão de haverem perdido o contato com a muita feminina criatividade que pretendiam demonstrar. Nas profundezas do seu ser, a maioria das mulheres, dentro e fora desse movimento, procura realmente uma igualdade pacífica e um relacionamento criativo com os homens, mais do que a predominância e o poder sobre eles. Entretanto, (...) o nosso é um tempo de terrível violência, em sua grande parte totalmente irracional. Na confusão geral, o grito sanguinolento da feminista devoradora de homens é ouvido em todo lugar. Dir-se-à que a Imperatriz, a quem foi negado por tempo demasiado longo o reino que por direito lhe pertence, se ergue das profundezas com a fúria infernal da mulher escarnecida. (...) É compreensível que, na busca por sua verdadeira essência, a mulher apareça sob muitos aspectos."para quem não conhece o tarot, a Imperatriz é o arcano que representa a mulher completa, emancipada e plena, consciente de sua criatividade e "governante pelo amor". a que tem todas as deusas equilibradas dentro de si. minha esperança é a de ver um dia a mulher chegando a essa condição de plenitude... embora saiba que não dependa inteiramente dela, pois há todo um sistema que favorece o afloramento da "Mãe Terrível", impedindo que a Mulher-Imperatriz assuma o controle de seu papel criativo.
um dia antes de viajar eu estava meio obcecada com a Árvore da Vida. estava me sentindo meio bloqueada - talvez porque estivesse tão cansada e com os olhos doloridos e pesados. mas decidi começar uma pesquisazinha sobre o assunto, já que o meu conhecimento sobre árvores da vida é meio genérico. deu prá perceber o quão complexo é o mito, já que ele existe em praticamente tudo que é cultura desse mundo.
trabalhar com mitos é um campo meio traiçoeiro. quanto mais longe você vai no estudo, mais animado fica quando vê as coisas se desdobrando e se ligando à outras, especialmente dentro de você mesmo. as idéias começam a pipocar de todo canto e você acaba ficando frustrado porque é simplesmente impossível colocar tudo o que você imagina numa pintura. melhor ir com calma, começar pelo básico e ouvir sua voz interna.
a Árvore da Vida é basicamente uma metáfora para a forma como todas as criaturas vivas estão entrelaçadas e ligadas a essa grande rede chamada Universo. microcosmo e macrocosmo, céu e terra. olhando o meu tosco estudo, noto que a composição das figuras forma uma tríade - Virgem, Mãe e Anciã? - e que, além de não mostrarem os rostos, suas cabeças são quase que as pontas de um perfeito triângulo.
então eu adiciono outro triângulo, com a ponta virada para baixo. o Selo de Salomão, espírito e matéria, macrocosmo e microcosmo, assim em cima como embaixo. se eu tivesse planejado isso tudo não sairia tão perfeito.
então agora dá prá ver a loucura que é essa coisa de criar arte. por isso é que na maioria das vezes eu não entro em desespero quando me sinto bloqueada. eu sei que o próprio trabalho (?) vai acabar me apontando o que ele quer, e que as coisas cedo ou tarde acabam se encaixando.
agora eu tenho um problema. acabo de descobrir que a estrela de seis pontas apareceu no meu caderninho de desenho quando eu já tinha o lápis prontinho, no suporte definitivo. que as cabeças não estavam tão alinhadinhas, a simetria do triângulo não era a mesma. seria meio louco rejeitar o primeiro trabalho e começar outro, mais "dentro das regras" - mesmo porque, um segundo trabalho nunca é igual ao primeiro similar. pode ficar melhor, ou pior. eu não quero arriscar. fico com o primeirão, e aceito o desafio de criar uma solução pictórica que sugira, ou simule os triângulos.
outro problema: o "tronco da árvore" está ocupando mais de 60% da área da prancha (ou placa... tô achando que chamar de prancha cai melhor) de ilustração. ok, as três mulheres estão bacanas e tudo, a composição é atrativa o suficiente, mas é uma Árvore da Vida, tem que ter uma grande e luxuriante copa.
a solução vem na forma de quadrinhos adicionais, um no topo e e um de cada lado. gosto da idéia, vai ficar parecendo um "joguinho" de quadros, parecido com um tríptico, só que com mais de 3 painéis. e, em cada painel, que tal representar um dos quatro elementos, ou as quatro estações? as quatro estações são um símbolo perfeito para o próprio ciclo da vida.
dou uma olhada em imagens de Árvore da Vida pela web. encontro muitas com galhos em forma de espirais. eu pinto um bocado de espirais, mas eu queria algo diferente, já que espirais parecem ser um tipo de clichê árvoredavidiano. é preciso fugir dos clichês sempre que possível. but... espirais são símbolos de vida! eles representam ciclos, evolução, fertilidade. o espiral é uma das representações mais antigas do poder da Deusa. meu herói, o Klimt, certamente sabia o que estava fazendo quando pintou sua famosa e fantástica Árvore da Vida. como é que eu posso fugir disso?
só que eu quero mais em cada um dos painéis. quero mais símbolos, não somente pássaros, peixes (peixes na árvore, sim. adoro peixes em lugares inusitados.) e outros bichinhos. estou agora explorando um pouquinho de Cabalah e tentando achar relações com a árvore da vida cabalística e a minha. não sei nada de Cabalah e nunca tirei um tempo prá estudar, então acho que pelo menos agora tenho uma boa desculpa para começar a entender um pouquinho.
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eu não acredito em talento dado de graça, não acredito que algumas pessoas sejam abençoadas com um dom e outras não. acredito em trabalho, em paixão, em persistência e força de vontade. acho que todo mundo nasce com uma inclinação natural para alguma coisa, mais sintonizado com um plano de experiência do que com outro. algumas pessoas são mais cerebrais, enquanto outras não entendem nada que não passe antes pelo caminho do coração; umas são mais intuitivas e não acreditam em limites, enquanto outras são lógicas e pé-na-terra. o tal "dom", ou o talento, uma coisa que é a expressão pura daquilo que a gente é, é uma pedra bruta que precisa ser lapidada até que esteja pronta prá mostrar seu brilho. 5% de inspiração, 95% de transpiração, como dizem por aí. a diferença é que existem pessoas mais apaixonadas por aquilo que fazem do que outras. outra, é que as pessoas crescem para ser máquinas e param muito cedo de acreditar que podem ser aquilo que quiserem. o dom vai sendo deixado de lado, vira sonho, que é muito conhecido por essas gentes também como sinônimo de "ilusão". a pedra não é lapidada e não brilha, apesar de de vez em quando ser acarinhada com uma esperança meio morta. ah, seu eu ....... (escreva aqui a sua desculpa preferida..)
e então todo mundo começa a achar que você é um privilegiado porque tem um "dom". o que eu tenho é uma paixão desgraçada por aquilo que eu faço, um amor sem limite pela arte e pela beleza. uma coisa que não me deixa descansar enquanto eu não encontro a cor ideal, enquanto eu acho que posso dar mais e mais de mim para que uma idéia crie vida, ignorando as costas doloridas e a perna já dormente por causa da lombalgia, usando um braço para mover o pincel enquanto o outro acalenta minha filha no colo, esquecendo que eu poderia estar relaxando e aproveitando o tempo em que meu marido e filha estão tirando uma soneca e não precisam de mim. só que eu vou pintar e desenhar, porque eu preciso. vai ver é isso o tal do dom. desejo, necessidade, vontade. o resto não serve para muita coisa.
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(engraçado ter terminado minha representação de Jesus Cristo tão perto da Páscoa. juro que não foi de propósito. mas as musas às vezes adoram umas coicidências... ou sincronicidades.)
está pronta, finalmente, a primeira parte do que é, por enquanto, meu projeto mais ambicioso: o quadro do meio de O Aguadeiro, chamado Unio Mystica. é um trabalho tão repleto de simbolismo que se torna tarefa dificílima desfiar cada um deles aqui. cada símbolo leva a uma miríade de coisas, sejam passagens bíblicas ou ensinamentos ocultos. (a propósito, a muito tempo atrás uma pessoa que conheci me disse que a Bíblia é um dos maiores livros de ocultismo do mundo. à medida que os anos passavam e eu ia me aprofundando no meu conhecimento de astrologia, tarot e símbolos, fui forçada a reconhecer que ele estava muito certo. e minha admiração sobre como tudo está tão criativa e inteligentemente interligado no universo só cresce. com todo o meu respeito por quem não acredita, mas com toda essa harmonia que eu vejo e percebo eu não consigo mesmo acreditar que não haja um Criador!)
O Aguadeiro é sobre a Era de Aquário e em como as palavras do Cristo se revelarão em toda o seu brilho e pureza. a peça principal (Unio Mystica) é o macrocosmo, representado pela figura do Cristo, enquanto as outras falam do microcosmo, na forma dos Quatro Elementos. quando eu estava planejando o trabalho, fui levada em minhas pesquisas para essa página e fiquei maravilhada ao ver uma imagem de um aguadeiro circundada por símbolos de espiritualidade e transformação. ambas a imagem e a página foram o que eu chamo de "presente do Universo" e me forneceram as direções que meu trabalho deveria tomar. tudo se encaixava perfeitamente ao meu conceito e idéias iniciais.
a figura central da pintura/tríptico é um homem nu carregando um pote de água. ele exuda liberdade e força. em seu corpo se vê os chakras principais iluminados e ligados, desde a base da espinha até o topo da cabeça, onde uma flor multicolorida se mostra. ele é o homem perfeito, o homem que foi capaz de despertar sua kundalini e trabalhar seu potencial divino/criativo ao máximo, e se tornar Deus. este homem é o Cristo, o modelo mais alto que a humanidade pode aspirar. o espírito do mais alto grau de iluminação que resolveu encarnar em um denso corpo material igual ao nosso para nos ensinar que nós também somos deuses e que tudo o que ele fez, nós também podemos fazer. em sua mão ele traz uma rosa ao invés de sangue e feridas, para nos lembrar que é a nossa existência na carne que nos faz florescer como espíritos.
ele derrama água sobre duas figuras na base, que se banham em atitude de entrega e comunhão.
a água é símbolo universal de espiritualidade e renascimento. "E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos" (Atos dos Apóstolos, 2:17). esta é a grande missão espiritual que a humanidade confrontará quando todas as formas de crenças dogmáticas começarem a serem esmigalhadas por filosofias progressivas e descoberta científicas. então as palavras de Jesus surgirão com fôlego novo e serão entendidas "sem o véu da letra".
há dois detalhes que foram pintados sem que eu conscientemente tivesse idéia. um são as chamas que aparecerem nas testas das duas figuras da esquerda, que lembram as "línguas de fogo" que surgiram sobre os apóstolos no dia de Pentecostes. outro detalhe, um pouco mais "visionário": as "fitas" que nascem da rosa e descem até o chão, e que foram colocadas ali para efeito estético, meio que se parecem com o modelo do DNA humano. segundo um "insight" recente que tive, já que nossas encarnações moldam nosso DNA, quem sabe este não seja uma das grandes descobertas científicas das próximas décadas que levarão à compreensão da imortalidade da alma... e que o Mestre estava certíssimo quando disse que "ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo" (João, 3:3).
Labels: aquarela, espiritualismo, insights, o aguadeiro
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