tudo bem, eu confesso: não fui muito feliz quando escrevi, ali embaixo, que cargos políticos deveriam exigir curso superior. afinal, quantos diplomados a gente não vê por aí que são completamente ignorantes nas coisas do coração?
liguem não, isso é mal de professora. às vezes não sei se estou errada ou certa em achar que educação é fundamental, um direito de todo mundo, e quanto mais, melhor. de tanto que leio o pessoal falando por aí que é elitista achar que todo mundo deveria ser educado e esclarecido, acabei me achando meio metida a besta.
mas continuo não gostando de paternalismo. coisas do tipo "coitadinho, não estudou porque é pobre" ou "ele rouba porque a sociedade não lhe deu condições". eu acredito que não existem privilegiados, existem aqueles que suam mais, que sonham mais, que trabalham mais. que tudo vale a pena se a alma não é pequena.
e, apesar dos pesares, confesso que senti um alívio com a vitória do Lula. afinal, nunca pensei que fosse viver prá ver a dívida do Brasil com o FMI paga.
eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades...
0 falas por Ariel a 11:10 PMa primeira vez que votei na vida foi na primeira eleição direta prá presidente do Brasil. eu devia ter uns 18 anos. lembro-me que anulei meu voto com um um redondo "A" de anarquia, aquele famoso. não sabia bem o que era anarquia, nem tampouco tinha muita idéia de que estava abrindo mão de um direito conquistado a duras penas. fui votar porque assim ordenava o Estado. era a democracia, diziam.
o tempo passou, outras eleições vieram, e o que antes não passava de uma grande maçada passou aos poucos a ser tarefa séria, pensada, debatida e, porque não dizer, tinha até seus momentos de diversão. o horário eleitoral gratuito passou a ser um must das minhas noites, não só para análise dos candidatos, como também para entretenimento - vá lá, poucas coisas são tão bizarras e engraçadas na tv hoje em dia. o ritual de ir às urnas era cumprido com respeito, apesar dos muitos minutos a pé sob o sol escaldante da primavera da Baixada Fluminense. com tanto respeito que me sentia realmente ofendida quando a multidão que se aglomerava nas ruas me cercava para oferecer "santinhos". "a senhora já tem candidato?" - a pergunta me fazia ferver o sangue, reduzia-me à massa dos que votavam por obrigação, que muitas vezes escolhe candidato à boca da urna prá se livrar do "dever democrático" e ir tomar suas skols depois. apesar de ter encarado tudo como tarefa séria, pensada, debatida, a sensação pós-votação era sempre de anti-clímax. era como ter participado de uma farsa. não tinha graça nenhuma.
este foi o primeiro ano em que não votei prá presidente do Brasil. tenho acompanhado, do jeito que dá, a movimentação eleitoral pela tela do computador, através dos jornais onlines e blogs. sei mais ou menos em que pé as coisas estão, sei do desalento de um grupo que mais uma vez vê a massa faminta e ignorante decidir por todos. e também de um outro grupo que acha que o PT no poder trouxe à tona preconceitos da época da colônia que rezam que operários não podem governar.
eu acho que cargos políticos são tão sérios que não deveriam ser dados a quem não tem no mínimo um curso superior. do mesmo jeito que prá ser médico, advogado ou professor é preciso estudo - afinal, todos lidam com gente, e gente é coisa séria. não pelo título, mas pela vivência que os bancos universitários proporcionam, pela abertura de racocínio a qual eles te impelem. elistista? não acho. a menos que você considere que universidade é só prá ricos. uma das minhas broncas com o Lula não é o fato de ele ter sido um operário, pois eu também nunca fui rica e nem ao menos classe média. é o fato de ele ter tido tantas oportunidades de enriquecer-se como ser humano através do estudo e não tê-lo feito. belo exemplo prá população que o elegeu.
no mais, continua tudo na mesma. claro que tivemos umas mudancinhas, mas elas vieram a passo de tartaruga. as cabeças pensantes ainda são uma minoria, quem elege nossos representantes é, sim, o povo que não pode compreender que há muito mais além de uma refeição a um real ou de uma bolsa-família, porque os estômagos continuam roncando e os filhos continuam chorando de fome apesar de tantas décadas de promessas. é preciso que seja assim, para manter as mesmas elites no poder. e quem não é elite quer ser, quem nunca comeu melado quando come se lambuza, e taí o PT que não nega a sabedoria popular. outros elegem Clodovis e, apesar do passado, Malufs e Collors. eu reafirmo cada vez mais a minha teoria de que os governos são reflexos de quem os elege, logo, se quisermos mudanças de verdade, precisamos começar a mudar a nós mesmos. esse é a nossa grande tarefa para o momento. ou será que você, que reclama do governo, passaria incólume a uma oferta de 30 milhões para votar a favor dele?
eu não vou votar prá presidente esse ano, graças às dificuldades geográficas e burocráticas que as embaixadas brasileiras impõem a quem deviam facilitar a vida em terra estrangeira. não tenho condições financeiras nem físicas (graças à gravidez) de pegar um avião (quantas vezes? duas? três?) e rumar para Washington, onde fica a embaixada da jurisdição onde moro, para assinar papéis e assim poder cumprir com meus deveres de cidadã. eu gosto de votar, gosto de participar dos rumos do meu país, mas sinceramente desta vez não estou lamentando muito o fato de não poder comparecer às urnas. as notícias que leio todos os dias nos jornais online não são nada animadoras; nenhum candidato entusiasma, consegue atrair a atenção, todos têm a mesma aura de "já vi esse filme antes". mesmo longe, consigo perceber uma certa atmosfera de desalento e desânimo pairando sobre o povo brasileiro, o que pode ser desastroso. ninguém acredita mais em políticos, classe já estereotipada, caricatural, e seu circo tragicômico. então é isso: materializou-se o sonho carnavalesco e o Brasil virou uma grande pantomima, com seus Arlecchinos e Pantaleones e histórias já tão gastas que doem, e não há coragem para tranformar o desalento em revolta.
e antes que eu me esqueça, sou a favor do voto nulo. não acho que há mais tempo de votar no "menos pior" (a quantos mandatos temos feito isso?). há que haver uma hora de protestar.
Postagens mais antigas Página inicial


