desde que me entendo por eleitora eu voto no Gabeira. ele era aquele cara revolucionário, progressista, com quem eu sempre me identifiquei. um cara que se destacava totalmente da mesmice e caradurismo do Congresso. era só o Gabeira concorrer para alguma coisa e meu voto era dele, religiosamente. portanto, foi com muita alegria e surpresa que recebi, aqui em terras do Norte, a notícia de que Gabeira estava na corrida para prefeitura do Rio. apesar de não votar no Rio, acho a eleição importantíssima porque, mesmo morando na Baixada ou Zona Norte, é lá, na capital, que grande parte da população passa boa parte de seu tempo.
então ontem veio a notícia de que o Gabeira perdeu. mesmo depois de ter feito uma campanha simpática, limpa, diferente e descomprometida com alianças sinistras e politicagem. perdeu porque a classe média achou mais importante ir aproveitar o feriadão (estrategicamente planejado) à ir à urnas. as abstenções foram de mais de 100 mil. era preciso apenas metade desses votos para tirar o Rio do limbo em que foi jogado desde muitos governos atrás.
mas o carioca preferiu ir aproveitar o feriadão. mais valor tem 3 dias de prazer do que 4 anos de choro. afinal, tá todo mundo já acostumado à violência, à favelização, ao descaso, aos corredores lotados dos hospitais sem recursos, à falta de professores nas escolas. é só apertar mais um pouquinho que dá.
vergonha, sabe. vergonha e tristeza. a ignorância continua vencendo. e quem poderia fazer algo a respeito não faz. vai à praia. quem sabe achando que um voto não teria assim tanto peso. o problema todo aparece quando 55 mil pessoas pensam a mesma coisa. depois vai todo mundo colocar uma camisetinha branca e abraçar a Lagoa.
e a letra do Renato Russo não me saía da cabeça.
Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?
*medo, muito medo. a situação aqui em terras do Tio Sam também está a perigo. só que aqui não tem populismo, cheque-cidadão, nem se troca botijão de gás por voto. a imbecilidade aqui é baseada numa imagem retrógrada de uma América "família" e limpinha, onde todos vão juntos à igreja, não existem gays (nem negros, para muitos) ou socialistas e onde as glórias militares ecoam em cada lar. é nessa imagem com sabor de mashed potatoes e pumpkin pie que metade da América se agarra em busca da preservação de seus valores - e de uma hipocrisia amarelada. vão atrás de Bushes e McCains como se os mesmos fossem os paladinos do sonho americano. que por sinal anda muito mal das pernas. tenho medo de que a metade progressista e idealista da América, a mesma que luta por Obama na presidência, se veja de uma hora prá outra órfãos de sonho. iguaizinhos aos irmãos Sul Americanos da tal cidade maravilhosa.
e depois, a que se agarrar?
pessoas, pessoas. o mundo está mudando, a velha ordem está agonizando e a despeito de todas essa gente do mal, VAI desaparecer. quem for do bem, assuma o seu papel, porque ficar em cima do muro agora não ajuda em nada, apenas consente-se que o mal prossiga. estamos todos dentro do mesmo barco. o capitalismo já caminha para um colapso, para mostrar o quanto a filosofia do egoísmo e do lucro a qualquer preço já não tem mais lugar. é hora de uma mudança de postura, mais global e comprometida com o outro. de entender que jamais haverá paz ou segurança ou prosperidade real se um só ser na face desse planeta estiver sofrendo por causa do que um outro causou.
*
na minha opinião tem duas partes boas na história. uma é que o Gabeira saiu dessa com a imagem mais fortalecida e sólida e uma reputação que valerá muito mais do que 4 anos no poder. plantou uma semente poderosa, deixou um exemplo que deve estar, lá no fundo, martelando de forma indesejada na cabeça de muita gente de "poder". a outra é que, com tudo isso, o Gabeira perdeu por uma margem muito, muito pequena. mesmo com todo o jogo sujo do outro lado. prá mim, isso foi uma vitória. e um indicador de que, aos poucos, o povo vai abrindo os olhos, devagarzinho, o que já denota uma mudança. soube que a mobilização a favor do Gabeira foi belíssima, de gente inteligente e engajada. ainda não foi dessa vez, mas eu acredito que um dia a gente chega lá. porque não se pode retardar por muito tempo o caminhar do progresso.
sou o tipo de pessoa que acredita que a gente tem que passar pela vida contando apenas as bençãos. ainda que a parte onde os problemas e as dores seja maior.
mas está ficando muito claro para mim, agora, que está sim, na hora em que nós, humanos, comecemos a parar de nos ver no topo da cadeia alimentar e enxergamos os animais como irmãos menores que precisam de nosso auxílio para evoluir. pelo menos em nossa sociedade foi-se o tempo em que os meios de sobrevivência eram escassos e não tínhamos muita opções. hoje em dia temos supermercados abarrotados de coisas e alimentos frescos em qualquer época do ano à altura do braço.
bom, acho que o vídeo me deu o empurrãozinho que faltava, apesar de ter despedaçado o meu coração. não sei o que vai ser daqui prá frente, mas estou praticamente resolvida a abandonar a carne de vez. sei que vai ser um caminho difícil - mas afinal, se consegui me livrar completamente do hábito das carnes vermelhas, há esperança também para as brancas. e se você como eu também precisa de uma ajuda extra para seguir de vez a rota do vegetarianismo, tá aqui a primeira parte do vídeo. mas aviso de antemão, não é para corações fracos.
é curioso, e, dependendo da pessoa, decepcionante constatar como, numa relação interpessoal, a maioria das pessoas vê a outra apenas como um par de ouvidos ambulante. em cada dez pessoas que você conhece, entre amigos e familiares, com sorte você encontra umas duas pessoas que estão realmente interessadas no que você tem prá contar. às vezes nem isso.
Labels: introspectivas
se você é professor, seria uma boa mostrar esse videozinho pros seus alunos. dá pé, é só usar a criatividade para encaixar na sua disciplina. é sempre mais fácil plantar a semente cedo, o que não quer dizer que nós também não possamos mudar, é só ter um pouco de boa vontade.
...
sempre fui uma pessoa bastante frugal nos meus hábitos de consumo. não foi algo aprendido, não é para bancar a politicamente correta, mas algo que nasceu comigo. sou pão-dura, não gosto de esbanjar dinheiro nem de ostentação. nunca vi graça em ter coisas das quais eu não precisava tanto assim, sempre desprezei modismos e minhas coisas geralmente duram vários anos - algumas, como sapatos ou bolsas, quando se tornam irremediavelmente impróprias para consumo, até me fazem lamentar não ter comprado uma cópia para continuar usando.
me casei com uma pessoa que também não dá importância a ter um mundo de coisas, nem ter o que não precisa só prá se "encaixar" (ok, compra mais livros em um mês do que pode ler em um ano, mas livro é livro, né?). estamos longe de ser ricos, não temos muitas das coisas que a família americana padrão tem - dois carros na garagem, por exemplo - mas na nossa frugalidade vivemos muito bem, obrigada. sem essa de ficar criando necessidades desnecessárias (já basta a conexão wi-fi, que desde que entrou aqui em casa se tornou impensável não tê-la.)
...
também tenho pensado mais cuidadosamente na necessidade de se reciclar coisas. não apenas o óbvio, como papel, pilhas, latas, etc., mas objetos mesmo. a umas semanas atrás aceitamos a doação de móveis de quarto para a pequena, vinda de um amigo. os móveis não são nem de longe o que eu queria para ela - são rococó e girlie ao extremo - mas é só usar a imaginação para fazê-los funcionar. retirei os detalhes mais pomposos, como o espelho do gaveteiro (que eles chamam de dresser) e os posts da cama (aqueles postes colocados nos quatro cantos da armação da cama cuja utilidade eu ainda não descobri e que acho um horror.) uma ou duas demãos de tinta branca all over e poupamos o planeta de mais um pouquinho de lixo.
...
umas das primeiras coisas que percebi desde que cheguei aqui na América é esse consumismo descrito no vídeo. as pessoas compram alucinadamente, já que as coisas em geral são muito baratinhas - veja o vídeo também para entender o porquê. é só entrar num Wal Mart qualquer da vida prá descobrir um monte de coisas que você estava justamente "precisando"... e que em poucos meses vão para o lixo, ou para o Good Will mais próximo (espécie de loja de caridade que explora justamente esse lado do americano de descartar as coisas das quais não precisa ou não quer mais, e que acaba fazendo as pessoas se sentirem menos culpadas pelo consumismo louco). afinal, o "lixo" de uns pode ser o tesouro de outros...
aqui cada casa tem seu "building", uma espécie de casinha que fica no fundo do quintal e que serve só prá guardar tralha. é tanta coisa inútil que existem até conteineres de aluguel para o povo guardar seus excessos.
uma prática legal deles para passar para frente o que não precisam mais são os "yard sales", ou "garage sales". monta-se uma espécie de feirinha no quintal com os artigos, e vende-se para os passantes por um preço bem baratinho. aqui na vizinhança sempre tem algum, mas sempre fui muito tímida para visitar.
- pense bem antes de comprar por impulso, ou só porque você não queria perder a liquidação, ou porque você resolveu acompanhar a amiga naquela loja de grife e não queria ficar por baixo saindo de lá de mãos vazias.
- sempre que puder, recicle. invente formas novas de se usar aqueles velhos móveis, ou aquela roupa que você já cansou mas que ainda está em bom estado. às vezes, certos objetos podem ganhar funções novas e se transformarem em outros totalmente inusitados.
- separe o seu lixo. orgânicos de um lado, recicláveis (latas, papéis) de outro. não dá trabalho.
- sempre que puder, valorize e prestigie a produção artesanal.
- todos os dias, permaneça no chuveiro cinco minutinhos a menos. procure reaproveitar a água para outros fins. não deixe as torneiras escorrendo. e pare de lavar a calçada com água limpa da torneira.
- deixe prá beber água engarrafada na rua, quando não há outra alternativa prá matar a sede. em casa valorize a água da torneira - devidamente filtrada, é claro.
- apague as luzes dos cômodos da casa onde não há ninguém no momento. substitua suas lâmpadas comuns pelas fluorescentes.
- reaproveite folhas de papéis usadas apenas de um lado fazendo, por exemplo, bloquinhos de notas ou rascunho. como eu sou desenhista e uso muito papel, geralmente aproveito o meu para estudos ou corto em quadradinhos, para usar como provas de aquarela. o que não dá mais mesmo para usar vai para reciclagem.
- dê mais valor ao seu direito de voto. apoie candidatos realmente comprometidos com a causa ecológica.
- espalhe o videozinho "A história das coisas" por aí.
- você está vivendo tempos formidáveis, onde temos total acesso à liberdade de expressão através dessa maravilha que é a internet. aproveite: crie um blog, expresse suas opiniões, espalhe suas dicas de como ajudar a tornar o planeta mais legal de se viver.
Labels: opinião, vida, vida green, vida na América
yes, we got it!! depois de vários meses de preparativos, algumas dores de cabeça e nenhum desentendimento pessoal (coisa rara em grupos), o segundo Lexington-Bluegrass Pagan Pride Day aconteceu e foi uma delícia. dia perfeito, atmosfera agradabilíssima, pessoas fantásticas. amaria ter podido aproveitar mais, participado dos workshops, dançado no drum circle (me convidaram para tocar pandeirola), mas como tinha obrigações a cumprir - sou coordenadora de artes e tinha que estar a postos - não pude fazer tudo o que quis. mas foi um dia memorável, mesmo assim.
como sempre, graças à minha cabeça que vive saltando de um lugar para outro, falhei ao fotografar. não muitas ou significativas fotos, e as do exterior ficaram bem ruins. e apenas quando acabou eu me dei conta de que não havia me fotografado em meu booth, nem às outras artistas. que aliás, foram gratas surpresas em matéria de gentileza e amor à arte e às coisas do espírito. nossa conexão foi imediata e algumas idéias começaram a surgir...

alguns shots do exterior, com alguns booths. a última foto tem uma menina vestida de fada dark, dá prá ver? (pergunta retórica)

os gatinhos em papier mache da Vida Vitagliano. ela resolveu trabalhar nas esculturas em pleno festival, aos olhos do público.


as fadas, ondinas e retratos de seres espirituais canalizados pela Tammy Wampler.

esculturas de deusas e símbolos pagãos da Mary Harmon, cheios de energia da terra.
dreamcatcher da Andrea Bryant.


e, last but not least, meu booth!
Fellowship Hall e pessoas peculiares.
eu no banheiro.Labels: andanças, my artwork, pagan pride
pois é, quando tirei essa foto tinha tomado várias tequilas e o cabelo estava num dia pós-lavagem - sem oleosidade natural e com aquela aparência de juba. num dia como esses, eu pareço a Sophie Marceau, pessoas! e não é possível que vocês ainda não tenham notado a semelhança com a Liv Tyler, a elfa mais gostosa da Terra Média. e aquela ao lado da Marceau não é a irmã da Paris Hilton? desconheço o restante das celebridades look-alike, mas não importa. I am definitely flattered.
Labels: bobagens
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