houve um tempo em que eu muito escrevia nessas paragens virtuais, desde 2002, acho, quando comecei meu primeiro blog. acabo de ler uns posts meus antigos e senti inveja de mim mesma.

não sei bem quando, nem porquê, fiquei tão calada, tão sem entusiasmo para falar de mim mesma e do mundo ao redor. tá certo que a falta de tempo ajuda, mas às vezes escrever vale tão a pena, não só como desopilação mas como uma forma de guardar as memórias. tanta coisa que me arrependo de não ter escrito, guardado em palavras... não sei se desaprendi a ser transparente; talvez esse passeio de Saturno na minha casa 1, além de ter me trazido umas marcas do tempo indesejadas na cara, também tenha me feito me esconder mais do que gostaria. às vezes até de mim mesma.


sempre tive pavor de tempestades. gosto muito de chuva, muito mesmo, mas trovoadas, relâmpagos e ventania me dão vontade de me enfiar no buraco mais próximo e ficar lá bem quietinha até tudo passar.

ontem sabíamos que chegaria uma bruta tempestade à noite, mas eu não esperava ser acordada pelo alarme de tornado da comunidade à uma da manhã. pulei da cama com o coração na boca, e olhei pela janela. as árvores de caule mais frágil estavam envergadas num ângulo de quase 45 graus. haviam coisas voando, e o céu tinha uma coloração de filme de terror. de repente, apagaram-se as luzes lá de fora. entre pensamentos de "e agora?" e "eu quero voltar pro Brasil", já me preparava para agarrar minha filha (que não fora acordada pelo zunido ensurdecedor do alarme) e carregar para o lugar mais seguro da casa - o banheiro, segundo meu marido. fui para sala e liguei a tv. havia uma faixa vermelha no canal do tempo dizendo "procure abrigo agora!", mas também um aviso de tornado que não era, para nós felizmente, para essa região. a tempestade estava se deslocando para o norte, e em dentro de quinze minutos pude ir para a cama mais tranquila e pegar no sono.

hoje pela manhã, lá fora, haviam árvores partidas, pedaços do telhado e galhos por todos os cantos, e as vidraças do back porch - espécie de varanda com paredes e vidraças que as casas daqui possuem na parte dos fundos - haviam se estilhaçado e estavam espalhadas pelo chão.

foi só um susto, e bem dado - e no, thanks, eu não quero saber como é a coisa de verdade.

e então, tivemos um reveillon tranquilo, e isso basta. um super jantar de sushi, e cervejinhas em casa depois. e 2008 começou com neve na janela. perfect.

não sou de resoluções de ano novo, acho que mudanças podem, e devem, acontecer toda hora, o tempo todo. mas esse ano, por uma força obscura, resolvi tentar. a primeira é a famigerada dieta, já que é imperioso que eu perca os diversos pounds ganhos desde o Thanksgiving. o segundo é desenvolver estratégias para ser mais organizada, e fazer primeiro as coisas primeiras. o terceiro é começar a ganhar dinheiro de verdade, e como o ano começou com pedidos na minha caixa de email, tem que ser um bom sinal. o quarto é começar a pôr em prática uns projetos profissionais, um dos quais de caráter filantrópico.

dizem nos meios astrológicos que 2008 é um ano de Marte. não compactuo com essa coisa de dar regência de planetas aos anos, mas mesmo assim, meus votos é de que possamos desenvolver nossas melhores qualidades marcianas - vontade, energia, capacidade de lutar pelo que acreditamos - pela consciência de que, como disse Gandhi, é preciso que sejamos a mudança que queremos ver no mundo.

e que 2008 seja um tempo de bençãos para todos nós.

"É melhor ser violento, se existir violência em nossos corações, do que colocar a capa de não-violência para cobrir impotência." Mahatma Gandhi

aqui na América, assim que o Thanksgiving Day se vai, os preparativos para o Natal começam num ritmo frenético. a tv inunda a sala com aqueles filmecos de Natal que eu odeio, 99% dos comerciais de tv vêm com uma hedionda trilha sonora natalina e eu constato com um certo vazio o quanto continuo indiferente à tudo isso . sempre tive sentimentos ambíguos em relação ao Natal. não compartilho da euforia geral, e o consumismo sem sentido e a onda de caridade de fim de ano - como se os pobres só aparecessem em época de Natal - me irritam. mas por outro lado, fico contente que haja, ao menos uma vez por ano, um tempo em que as pessoas pensem um pouco nos outros, um tempo de trocar e confraternizar.

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e desde o Thanksgiving não paro de comer besteira. a oferta de coisinhas que acalentam o espírito, como tortas, cookies e eggnog com whisky é mais forte do que se pode resistir. já engordei 1 quilo e meio nessa brincadeira. o que me faz mais uma no rol dos que incluem uma bela dieta em sua lista de ano novo. e eu, que estava tão contente por conseguir caber em um dos meus jeans pré-gravidez...

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eu sinto falta do fim de ano do Brasil, mesmo com o calorão. sinto falta de música alta, dos fogos e gente aparecendo em sua casa depois da meia noite prá filar um copo de vinho. é verdade que por aqui o Natal é mais "família" e tranquilo, coisa que muito me agrada, mas que também faz a melancolia da data parecer maior.

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meu marido, que adora decoração de Natal, fez planos de ter uma árvore natural na sala esse ano. não deu certo: além de não ter conseguido um suporte adequado para a árvore, descobriu-se alérgico. acabou comprando uma artificial, de ramos bem fininhos, e se divertiu recheando-a com os milhares de enfeites from Germany adquiridos nos últimos dez anos. o resultado foi uma árvore não-convencional, e você pode passar horas olhando para ela e descobrindo detalhes diferentes. pena não ter uma câmera que faça justiça, mas dá prá ter uma idéia do delicioso caos:








meu amor, daqui a dois dias é seu aniversário, o seu primeiro. estou tão feliz e orgulhosa, maravilhada e agradecida pelo divino presente que é ter você aqui comigo. obrigada por ter me escolhido para te receber nessa Terra, obrigada por me dar a oportunidade de compartilhar do trabalho da criação, obrigada pelo seu sorriso todas as manhãs, que reforça ainda mais a minha crença de que este mundo tem jeito, sim.

sei que ainda tenho muito o que fazer, muito para aprender, mas o caminho não me assusta. tenho procurado fazer o meu melhor, mesmo pensando se não poderia fazer mais, mas acho que isso é coisa de mãe mesmo. sei que você tem crescido feliz, esperta, risonha, o que indica que talvez eu esteja no caminho certo. só peço a Deus e às entidades de luz que estejam sempre a meu lado, intuindo-me sobre o caminho correto a seguir.

você está quase andando sozinha, agora. falta muito pouco, e estou ansiosa pelo momento em que vou te ver se movendo sem minha ajuda. você também repete o que falamos, do seu jeito, é claro, e já mostra que tem personalidade forte, e até uma certa rebeldia - o que muito me orgulha, a propósito. não se esqueça nunca de que são os rebeldes que giram as rodas do mundo - os rebeldes e os que sonham. não se envergonhe nem se omita por ter suas próprias opiniões e seus sonhos.

ao contrário de muitos pais, que planejam e sonham coisas para seus filhos, eu não tenho coisas planejadas para você. não sonho com uma artista em casa, ou com uma band leader, uma beauty queen, uma psicóloga ou o que quer que seja. quero apenas que você seja uma pessoa honesta, verdadeira, que se preocupe com seus semelhantes e seu mundo, que aprenda a doar o que tem de bom e a ver o mundo como um lugar pleno de possibilidades, onde ser preto, branco, americano, brasileiro ou paquistanês não signica muita coisa além de meras definições numa certidão de nascimento. é claro que vou te ensinar o que sei. vou te ensinar a ler os símbolos, as estrelas, te contar como a natureza funciona e como Deus conversa conosco. e se um dia você decidir que tudo isso é uma grande bobagem, também não tem problema. mas isso tudo é assunto pro futuro - porque por enquanto eu não quero mais do que ver você comendo as suas refeições direitinho e sentir os seus bracinhos me agarrando.

feliz aniversário, meu duendezinho.



PS.: essa música tão linda, de uma banda que eu adoro chamada Chandeen, ouvi muito nos dias que antecederam a minha vinda para cá. foi uma coisa meio profética, acho. a letra é muito simples, mas é tão você... I hope you enjoy life today, and I know you will enjoy é tão sagitariano, é tudo o que eu mais vejo em você. sem contar o próprio título da canção, Fire and Water: exatamente os elementos que te regem. o amor e a compaixão da água, a coragem e força do fogo. essa é você, Isobel.

everything will be on your side
humans and animals, flowers and trees,
fire and water.


esta semana, navegando pelo MySpace, mui fortuitamente encontrei a página da artista americana Marie White. Marie é a criadora do Mary-el Tarot, um deck absolutamente lindo, riquíssmo, e muito, muito bem planejado em seus mínimos detalhes.em seu site, Marie explica o simbolismo de cada carta de acordo com sua concepção, e prova não ser apenas uma artista de grande sensibilidade e talento, mas uma verdadeira - e rara - visionária. virei fã da Marie automaticamente e adicionei-a na minha lista de amigos. tenho visto muitos baralhos de simbolismo pobre, onde o artista visivelmente não se preocupou em estudar as cartas e desenvolvê-las com o devido cuidado; o Mary-el Tarot é um achado, portanto. agora aguardo a publicação do deck.

acabo de assistir a um filme chamado "Minha vida sem mim". fiquei com um peso no coração.

uma pessoa que já morreu de repente estava lá de novo, e se confundiu comigo, e até esse momento tenho tentado fugir.

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