na maioria das vezes, artistas figurativos precisam de boas referências visuais de corpos humanos para seus desenhos e pinturas. usar modelo vivo é ótimo, mas quando você não pode pagar por um, uma fotografia decente resolve. e quando você não tem fotografias disponíveis (e você não quer usar uma foto encontrada na web sem permissão, certo?), o que você faz? no meu caso, eu coloco um pouco de base facial, uma faixa de cabelo engraçada que o mantenha longe do rosto, preparo minha camerazinha, procuro por um pedaço de parede clara, tiro a roupa... e em menos de duas horas tenho uma bela série de referências fotográficas.
é divertido e um bom exercício de criatividade, bem como um pequeno revival dos meus tempos de teatro. e o melhor de tudo é que eu sempre (ou quase sempre) consigo as poses certas para o conceito que estou desenvolvendo.
o inconveniente: tenho que fazer um esforcinho para que as figuras desenhadas não se pareçam muito comigo. é meio chato ver sua própria cara em cada pintura, quando sua intenção não é a de construir um auto-retrato.
por isso é que ando em uma desesperada busca por modelos que possam "doar" suas fotos para o meu álbum de referências fotográficas. cheguei a encontrar montes de fotos maravilhosas de gente encantadora, mas não estou mesmo a fim de escrever para elas pedindo permissão para uso das fotos, assim, na cara-de-pau, sem qualquer tipo de pagamento ou retribuição. e eu estou em total necessidade de fotos masculinas!!
as fotos acima são da sessão fotográfica de hoje, algumas das que eu mais gostei. os seios estão embaçados para evitar polemicazinhas bestas (embora eu mesma ache uma bobagem ter feito isso, já que todo mundo sabe como é um peito e só mesmo gente careta e retrógrada iria soltar um "oooohhhhh!" além de tudo, não ficou muito legal, mas é menos estúpido do que aquelas tarjinhas pretas.) nas paredes dá prá ver os rabiscos da minha filha (que sempre arruma um jeito de fazê-los quando não estamos olhando) e os interruptores de luz. mais caseiro, impossível. estou também chegando à conclusão de que preciso de uma câmera melhor. uma que não tire fotos embaçadas quando você não usa sem flash em ambientes pouco iluminados (detesto usar flash) e que tire várias fotos em sucessão, sem que você precise clicar. é muito cansativo ir e vir de trás da câmera todas as vezes que você precisa tirar uma foto.
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falando de peitos em blogs, me lembrei de uma menina que publicou uma foto de webcam dos próprios seios no blog, há uns bons oito ou nove anos atrás, se não me engano... e foi sumariamente crucificada por causa disso. ô gente careta e machista, viu.
Labels: arte, minha arte, processo criativo
já a algum tempo venho recebendo um bocado de visitas do Brasil ao Mesmerized, coisa que sempre me deixa felizona. como ninguém tem a obrigação de entender inglês, muito menos o meu, resolvi colocar aqui os mesmos posts que coloco lá, devidamente traduzidos. é legal não só porque os meus visitantes de lá poderão ler os posts na língua-mãe, mas porque vou ter um motivo a mais para atualizar o blog com mais frequência. afinal, a pintura tem absorvido uma grande parte da minha vida e nada mais justo que eu dê a meu trabalho um pouco mais de espaço por aqui.
vou começar mostrando e falando um pouco da cria mais nova, O Grito (The Scream).
esse é basicamente um trabalho sobre a violência contra a mulher, um assunto que me sensibiliza muito não só por ser mulher, mas também por ser um ser humano e por sonhar e trabalhar por um mundo mais pautado em respeito e igualdade.
quando eu estava pesquisando e buscando referências para o trabalho (vasculhei e li diversos posts do blog da Lola, procurei por outros artistas que houvessem trabalhado o mesmo tema, li artigos sobre a condição feminina em diferentes países, etc), a primeira certeza que tive foi a de que não queria uma peça que passasse uma atmosfera opressiva ou triste ou que mostrasse apenas a dor da violência e do abuso. eu queria algo que fosse masi dinâmico, que funcionasse como uma "voz", que pudesse ajudar as pessoas a refletirem sobre como mudar as coisas.
minha primeira visão foi de uma peça monocromática, em tons de marrom, com alguns toques de vermelho bem forte. porém, mais uma vez eu não pude fazer nada contra o meu impulso para cores e saí distribuindo cores quentes pelo desenho inteiro. no fim, elas acabaram contribuindo para o dinamismo e força do trabalho.
o simbolismo da pintura é bastante simples e direto. há uma figura dual no centro. ela pode ser a mesma mulher em duas diferentes atitudes, como queira. a ruiva está assustada e dolorida. ela segura o próprio coração, que sangra, e usa uma máscara para se manter escondida de julgamentos e outras perdas. ela pode ser a jovem que foi estuprada numa festa depois de beber demais, a que sofreu abuso por um membro da família mas preferiu esconder para não causar problemas na mesma, a mulher que apanhou do marido mas preferiu ficar calada por medo de perder a custódia dos filhos. ela pode ser uma das mulheres do Congo. ela pode ser eu, ou você.
a mulher de cabelos escuros não usa uma máscara. ela está gritando - embora às vezes acho que na verdade ela está cantando. o que ela liberta de dentro dela é um pássaro, vermelho como a vida. é o desejo de se libertar de um mundo conquistado pela força, não pelo amor. ela grita seu direito de ser tratada como um ser humano ao invés de uma cidadã de segunda-classe, como uma parceira ao invés de uma subordinada. seu direito de expressar suas próprias idéias e ter sua própria atitude sem que seja demonizada por isso.
há também máscaras na base da pintura, uma pilha de máscaras sem rostos por trás. elas uma vez pertenceram à mulheres que resolveram gritar ao invés de se manterem caladas e anônimas. que decidiram parar de fingir que o mundo é como é e que nada pode ser feito para mudar. mas há tanto que se pode fazer apenas por se ter voz... exigir responsabilidades políticas e sociais. educar as novas gerações na direção do respeito e da não-propagação de velhos hábitos que colocam os homens em posição privilegiada. denunciar. em outras palavras, exigir respeito por ser um ser humano.
eu gostei tanto do layout que fiz pro meu blog de arte que resolvi seguir o exemplo por aqui também. e já que estou um tanto sem energia por causa de uma gripe repentina, nada como atualizar e pôr um pouco de ordem na minha vida virtual.
continua nevando e frio. nunca vi temperaturas tão baixas aqui pelas terras do norte desde que cheguei. houveram noites em que os termômetros marcaram -19 graus celsius. frio de gelar a alma. dia desses o gelo congelou os cabos de eletricidade e ficamos quase o dia todo sem energia. como o fogão é elétrico, passamos o dia a base de sanduíches e eu penei prá fazer café usando água quente da torneira. não sei como o povo se virava até o fim do século dezenove.


Labels: casa, cotidiano, layout mayhem, vida
as coisas aqui finalmente começaram a entrar nos eixos. minha bebê passa super bem. a recuperação dela está sendo muito rápida, uma regeneração quase milagrosa, eu diria. engraçado como na maioria das vezes as crianças parecem ser mais fortes que nós, com uma capacidade de superação inimaginável. enquanto eu sofria aqui com sintomas de stress pós traumático, ela parecia pronta prá outra.
família e amigos foram maravilhosos durante esse período. as palavras de ânimo mesmo à distância tiveram um poder incrível de trazer um pouco de calma ao meu coração. a Aninha chegou a ligar para cá para saber como estavam as coisas, e quando a gente está tão distante isso não tem preço, gente.
vou aqui seguindo no meu ritmo, eu diria que agora quase 90% normal, pintando, criando, cuidando da vida. ontem recebi por email essa foto aqui:
sim, uma coisa fofa lá da California se apaixonou por uma das minhas ilustrações e decidiu que ia tatuá-la no braço. ela me disse que o desenho "falou" com ela muito profundamente, que seu simbolismo bateu com uma importante fase da vida dela. ainda não está terminada, é claro, mas ela já mandou a foto prá eu ver como o trabalho está ficando. o que é ter um trabalho seu gravado no corpo de uma pessoa para sempre? quando penso no quanto eu posso transformar e iluminar só por mover meus lápis e pincéis sobre um papel em branco meu coração transborda. é isso o que eu quero fazer pro resto da minha vida, até ficar tão velha que a artrite quase dissolva minhas falanges sobre o papel.
a ilustração original:
Labels: arte, biografia, cotidiano, Isobel, my artwork
esses dias vi por aí um bocado de gente para quem o ano não começou muito bem. janeiro parece estar sendo um mês meio bruxesco (no mal sentido). não sei como está o céu, não sei se a proximidade do eclipse afetou as pessoas em larga escala. sei que por aqui também tivemos numa cota de angústia.
minha filha sofreu um acidente doméstico na semana passada. não vou entrar em detalhes que não gosto de propagar tristezas, mas foi coisa séria, e por pouco não aconteceu o pior. passamos quase 3 dias no hospital, mas a recuperação dela têm sido rápida e feliz. eu é que não vou muito bem. por conta do que aconteceu estou uma pilha de nervos e com sintomas de pânico novamente. não sei se vou precisar de medicação para me ajudar a segurar esses dias difíceis. estou tentando me segurar em coisas boas, na benção da melhora, em como ela não tem ao menos reclamado de dor e nas palavras de apoio da família e de amigos queridos.
eu sou pessoa crente em Deus, em seres de outras dimensões que cuidam de nós, crente nas muitas coisas que existem além do que nossa vã filosofia concebe, crente que dificuldades são oportunidades de ajuste e aprendizado. não adianta, vidinhas tranquilas não nos ensinam muito sobre coragem e força, ou sobre fé, ou sobre a pequenez das muitas coisas que julgamos tão importantes mas que não passam do pó de pirlimpimpim que nos faz acreditar que somos assim ou assado (i.e, melhores que os outros.) estou aqui dolorida, mas firme. e sobretudo, grata.
Labels: espiritualismo, Isobel, vida
meu Deus, quase dois meses sem atualizar??
o ano começou sem resoluções, que há muito tempo não as faço. minha ciência pessoal comprova que na minha vida as coisas não dão muito certo quando bem planejadinhas. mas cortei o cabelo mega curto e comecei a fazer dieta assim, do nada. perdi 3 quilos em menos de 2 semanas.
tenho passado mais tempo aqui, porque tô redescobrindo minha identidade como artista e afundando nela, e tudo tem sido uma delícia. fiz uns planos a curto prazo. e descobri que quero ardentemente voltar a lecionar esse ano. desenho, aquarela, desenvolvimento da criatividade, qualquer coisa me me seja prazerosa, porque não se ensina a ninguém o que se faz com dor. decidi parar de esperar o inglês ficar 100% e encarar.
e por aqui, vou fazer umas mudancinhas. descobri que tem mais gente do que eu pensava visitando e não dá prá ser mais tão relapsa. oi, desculpem o mal jeito.
daqui a pouquinho eu volto.
"yesterday i got so old
i felt like i could die
yesterday i got so old
it made me want to cry"
In between days, The Cure
acho que eu atraio gente passando, ou prestes a passar, pelo Retorno de Saturno, porque se tem algo que me acontece com certa frequência é alguém pedindo prá "dar uma olhadinha no meu mapa", por estar com algum problema brabo, ou se sentindo meio esquisito - geralmente com depressão ou com uma sensação de estar carregando o mundo nas costas. então só de dar um olhada da data de nascimento da pessoa tudo se esclarece: 28, 29 anos (às vezes até um pouco antes disso)? tem cheiro de Retorno de Saturno, babe.
fala-se muito do tal Retorno, mas como tem muita informação errada circulando por aí, e como pouca gente se dá ao trabalho de visitar um bom site de astrologia prá saber o que é, vou tentar explicar.
quando a gente nasce, os planetas todos estão lá, cada um numa determinada posição do zodíaco. só que eles são dinâmicos, eles caminham, cada um no seu passo e velocidade característicos, percorrendo os doze signos dentro de um certo tempo. sempre que cada planeta, na sua viagem pelo zodíaco, chega novamente ao mesmo ponto onde ele estava quando a gente nasceu, temos um retorno. o retorno da Lua se dá a cada mês, o do Sol, a cada ano - no dia do nosso aniversário. vivemos retornos de cada um dos planetas às vezes mais de uma vez durante a vida, menos de Netuno e Plutão, que são planetas muito lentos - Netuno leva 168 anos prá dar uma volta inteira pelo zodíaco, e Plutão, 248, e ninguém vive tanto. Saturno leva em média 28 anos. é portanto comum que se vivencie dois, até mesmo três retornos de Saturno ao longo da vida.
mas o que isso significa, afinal? a grosso modo, sem querer entrar em detalhes de como funcionam os aspectos planetários, podemos dizer que cada retorno tende a potencializar o simbolismo daquele planeta em nós. sentimos a sua influência bastante amplificada. Saturno, por exemplo, é um planeta de estruturas. é ele quem organiza, quem dá forma, arcabouço, é ele quem cristaliza e torna real. portanto, a cada vez que Saturno voltar à mesma posição em que ele estava no momento do nosso nascimento, vamos sentir um impulso muito forte para criar estruturas, para cair na real e dar uma organizada na vida. isso muitas vezes não é consciente, mas vêm na forma de acontecimentos que forçam a gente a tomar esse tipo de resolução, muitas vezes a contragosto. é muito comum que nós encaremos esses acontecimentos como verdadeiras crises, e que até procuremos resistir com medo de perder aquilo que já conquistamos e que nos é tão confortável.
no primeiro Retorno, que como eu já disse acontece em média entre os 27-29 anos, somos forçados de uma forma muito peculiar a encarar certas "verdades" da vida. eu costumo dizer que é depois do Retorno de Saturno que se vira "gente". como Saturno é um planeta ligado ao elemento Terra, ou a tudo aquilo que mantém ligados ao plano físico, é comum aparecerem as crises que nos obrigam a manter os pés no chão. o povo que vive com a cabeça nas nuvens tende a sofrer consideravelmente durante essa fase, os dependentes de algo/alguém que faça o papel de papai ou mamãe também. no Retorno tomamos consciência de certas ilusões que até então pareciam muito reais. insegurança, medo, reais ou infundados, vêm à tona. comeca uma série de questionamentos a respeito do nosso lugar no mundo, a respeito do que realmente queremos para nós mesmos, a nível de estrutura, material ou emocional. é aqui que os famigerados "sonhos de juventude" viram fumaça. é aqui que sentimos que precisamos "ser alguém", amadurecer, pois afinal a ameaça do tempo se estende sobre nós como uma nuvem negra. é no Retorno que muita gente passa uma crise braba em casa e se vê forçado a parar de depender da família (ou do marido) para continuar existindo; é no Retorno que muitos relacionamentos acabam porque de repente passamos a enxergar uma outra realidade, seja na pessoa com a qual nos relacionamos ou na própria relação em si; é no Retorno que muitas vezes nos vemos diante de uma situação que nos obriga a uma total reformulação de hábitos e valores em prol de algo maior e mais importante. a palavra-chave para o momento é responsabilidade. e porque responsabilidade tende a tolher, restringir, a nos roubar o direito de fazer o que queremos na hora em que temos vontade, Saturno é encarado como um elefante que senta em cima da gente e não nos deixa respirar. mas quando o elefante resolve sair de cima, acreditem, a gente se vê diferente, mais seguros de nós mesmos, mais maduros e centrados.
quando a gente é adolescente, sonha com os 20 como se fosse a melhor coisa do mundo. como se aquela fase representasse tudo o que a gente sonha em matéria de realização e segurança. e é frustrante perceber que, em geral, não é. nos primeiros anos continuamos tão frustrados e com tantos questionamntos como qualquer adolescente. vivemos o conflito de que não somos mais teens mas por dentro nos sentimos (e até continuamos a nos comportar) como se ainda fôssemos. isso tudo gera um desconforto, pois não sabemos se é anormal continuar nos sentindo e comportando daquele jeito. as coisas começam a mudar um pouco de foco quando o Retorno de Saturno se aproxima, e na época exata do retorno, a gente começa a se cobrar tudo o que sonhávamos realizar quando estivéssemos na casa dos 20 e não aconteceu. eu tinha acabado de completar 29 anos quando meu Saturno voltou. não me lembro de ter ficado particularmente deprimida (afinal, já conhecia essa face de Saturno, tive depressão crônica desde a infância), mas o conflito idade versus realização profissional ficou muito contundente. eu me via com quase 30 anos, formada em moda, 10 anos de teatro nas costas e uma banda de dark folk, mas não tinha nada, não havia construído nada com todo aquele background. resolvi então dar uma "forma" pra tudo o que sabia e voltar prá faculdade de artes, que abandonara aos 21 anos por não saber se queria realmente aquilo (queria), e comecei a estudar para o vestibular da Uerj, já que não tinha mais papai pagando a facul particular, como da primeira vez. foi o ponto de partida para me sentir mais integrada na minha realidade e para começar a perceber quem eu era de verdade, qual era o meu caminho na vida. a partir daí comecei a me sentir mais segura a respeito das coisas que queria. claro que virei a mesa quando mal havia começado a carreira no magistério e a me sentir "alguém", causando uma série de outros desconfortos, mas isso já é uma outra história.
aos que estão vivendo, ou prestes a viver o Retorno de Saturno, eu digo vai passar. e que depois tudo fica melhor (se não melhorarem, é porque você não conseguiu deixar prá trás aquilo que precisava ir). você vai começar a olhar o mundo por trás de outras lentes, menos coloridas, é verdade, porém, mais reais.
comece fazendo uma lista de todos os seus medos e inseguranças. depois reflita sobre cada um deles, em como eles nasceram, e de onde. pense no que você pode fazer para não ter mais medo. pense em situações passadas de invulnerabilidade e insegurança e no que você fez para superá-las (correr não vale.) se você é ligado a artes ou artesanato, procure trabalhar em objetos tridimensionais. molde barro. crie estruturas, maquetes, coisas que precisem de uma solução para ficarem de pé. quando esse tipo de energia planetária se manifesta em nós, a grande sacada é trabalhar com ela, não fugir dela. organize-se, trabalhe, defina metas. construa, cristalize. não é tempo de desperdícios ou de viver irresponsavelmente, nem de bancar o bebê chorão. você pode perceber que as coisas vão caminhando meio lentamente, mas o que vem sob a influência de Saturno, vem para ficar. abrace a oportunidade.
a bela imagem acima, que ilustra bem o que o Retorno de Saturno significa, é da autoria de Powel Jonca, de quem não encontrei nada sobre na internet.
Labels: astrologia
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