o tempo continua curtinho, curtinho. eu não imaginava que dar uma mamadeira levasse pelo menos uma hora. que trocar uma fralda muitas vezes significasse ter que trocar todas as roupas do bebê porque ele fez xixi no exato instante em que você removeu a fralda suja, molhando as roupas e os lençóis.
eu até imaginava que teria que passar vários dias à base de feijão enlatado e ovo frito porque não conseguiria preparar uma refeição mais elaborada, mas não imaginava que tomar uma simples chuveirada fosse me dar tanto trabalho.
já se passaram dois meses e, apesar da parte dura da história, eu tô cheia de orgulho porque todo mundo elogia o meu trabalho de mãe, porque ela está linda e super saudável e eu tive que aprender tudo na marra, sozinha e praticamente sem ajuda. não recomendo ter filho longe da família, de quem possa ao menos te preparar uma refeição decente de vez em quando ou cuidar do bebê enquanto você tira uma soneca, mas que é um grande aprendizado, isso é.
tinha um bocado de coisa prá falar, mas o tempo... também estou louca prá voltar a produzir. eu tenho contrato com uma empresa daqui que produz artigos com imagens de fantasy artists, e eles já começaram a requisitar novos trabalhos. também preciso terminar um livrinho que estou produzindo com meu marido, que só depende de mim prá ficar pronto. queria mudar o visual do blog. queria responder uns emails. tanta coisa...
Labels: cotidiano
ela nasceu a pouco mais de um mês atrás, um dia antes do Thanksgiving Day. e eu ando sumida porque ainda estou ajeitando a minha vida, que se tornou um mundo. sagitarianíssima, de sol, lua e ascendente (será que eu aguento tanta energia?). linda, linda, mãos expressivas, uns olhos de encantar. às vezes nem acredito que ela seja minha, que tenha vindo de dentro de mim.
volto assim que tiver um tempinho.
Labels: cotidiano, Isobel, maternidade, poesia

dia 23 próximo comemora-se, aqui nos EUA, o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day). é um dia de confraternização, onde as pessoas costumam reunir-se em família, geralmente em torno de um jantar onde o peru é prato principal. como o próprio nome diz, é uma data de agradecimento a Deus pelas boas coisas recebidas durante o ano. acho a data linda, singela, e é uma pena que não tenhamos também no Brasil um dia especial de agradecer.
meu primeiro Thanksgiving foi ano passado, eu ainda engatinhando no meu processo de adaptação aos costumes norte-americanos. mas a partir desse ano, a data passa a ser incorporada de vez ao meu calendário pessoal: é que minha filha vai nascer mais ou menos nessa época. tá pertíssimo, e naturalmente já estou aqui inundada de ansiedade. um fato curioso é a sincronicidade envolvendo esse acontecimento: primeiro tem o nome que escolhemos para ela - Isobel, versão escocesa de Isabel, que significa "consagrada à Deus". segundo, tem o signo: muito provavelmente Isobel nascerá sob sol ou lua sagitarianas, signo ligado às coisas religiosas, regido por Júpiter, o pai dos deuses. claro que não tínhamos idéia de nada disso, foi pura coicidência mesmo. ou melhor, pura sincronicidade.
terei sem dúvida muito a agradecer nesse Thanksgiving.
na verdade, eu sempre fui mais de agradecer do que de pedir. e desde muito tempo aprendi a reconhecer o quanto tenho prá agradecer, apesar da vida estar sempre precisando de remendos (e qual vida não precisa...), e que eu sou às vezes uma baita egoísta por ainda me angustiar com coisas pequenas. houve uma época em que estive bastante envolvida com trabalhos de assistência à gente necessitada. um contato direto e rico com a privação do mínimo, que me ajudou ainda mais a ter uma perpectiva de que todos temos, sempre, todos os dias, motivos para agradecer.
e que fique claro: dar graças à tudo não significa uma resignação estéril. sou da opinião de que merecemos sempre o melhor que pudermos, quando esse melhor for justo. mas não ter o melhor não significa que não podemos nos sentir privilegiados, principalmente porque sempre haverá alguém para quem as coisas são sempre um pouco mais difíceis.
importa agradecer mesmo o emprego mal pago, quando há tantos vivendo o dia pelo dia, sem a perspectiva de um salário no fim do mês, por mínimo que seja.
agradecer o feijão e arroz sem carne, quando para muitos isso seria um luxo.
agradecer a água que sai da torneira.
agradecer a risada do filho.
agradecer o dia de sol.
agradecer, sobretudo, por poder agradecer.
"In everything give thanks"
1 Thessalonians 5:18
imagem: Corbis
Labels: feriados, maternidade, vida na América
vi esse meme por aí, mas acabei não resistindo e copiando da Denise.
o mundo seria um lugar menos divertido sem os memes.
What to Wear: preto, preto, preto. roupas de corte simples, casuais. jeans. saionas. roupas hippies. estampas indianas. overcoats.
What NOT to Wear: estampas de tigre, onça ou qualquer outro bicho (acho breguíssimo). roupas de cores vivas. roupas que exponham muito o corpo, com muito detalhes ou com brilho (especialmente dourados).
What to Shoe: tenis. botas. sapatos boneca. all stars (forever and ever). havaianas. sandalinhas de couro. pantufas.
What to Bag: bolsas tipo carteiro. bolsas de lona. bolsas de artesanato, crochê. e ultimamente aderi às tote bags, que vão bem com tudo e são muito simples e práticas.
What to Denim: gosto de qualquer tipo de jeans (com excessão dos muito clarinhos). mas quando mais gasto, melhor. amo jaquetas jeans também, mas tem que ser tudo bem básico. não curti o skinny jeans, e acho que a moda não perdura por muito tempo. é meio irreal, acho. prefiro as calças com boca mais larguinha.
What to Makeup: pó, corretivo para as olheiras, batom cor de boca, lápis preto. e só.
What to Accessory: artesanato, principlamente contas. anéis enormes. brincos minúsculos, argolinhas. quinquilharias de plástico. coisinhas prá usar no cabelo, tipo pregadeirazinhas, elásticos coloridos. bandanas, lenços, cachecóis e chapéus.
What to Jewelry: nothing. jóias são coisas muito distantes de mim. usaria, no máximo, pedras semi preciosas.
What to Fragrance: gosto de perfumes masculinos, ou coisas com cheiro de mato, terra.
What to Hair: shampoo e condicionador Garnier Fructis (Sleek & Shine). prá diminuir o volume e evitar ondas.
What to Eat: comida oriental.
What to Drink: Guiness, New Castle, Xingu, Negra Modelo, Blackened Voodoo. frozen margaritas.
What to Bargain: nada, não tenho jeito prá essas coisas. se não puder pagar nem chego perto.
What to e-Bay: nada, por enquanto.
What to Tee: blusinhas de malha basicas, brancas, pretas ou vermelhas. camisetas de banda.
What to See: Tim Burton e Shyamalan.
What to TV: bobagens e desenho animado.
What to Listen: Dead Can Dance, sempre. perfeição em forma de música, simplesmente todos os estilos que eu mais adoro numa banda só.
What to Read: espiritismo e astrologia.
What to Move: dancei jazz, balé clássico e moderno por 4 anos, e foi uma das melhores coisas que já fiz na vida. hoje danço de forma livre, prá mim mesma, quando ninguém está olhando, e estou aprendendo yoga de forma autodidata. quero fazer dança-do-ventre.
Labels: memes, viagens egóicas
tudo bem, eu confesso: não fui muito feliz quando escrevi, ali embaixo, que cargos políticos deveriam exigir curso superior. afinal, quantos diplomados a gente não vê por aí que são completamente ignorantes nas coisas do coração?
liguem não, isso é mal de professora. às vezes não sei se estou errada ou certa em achar que educação é fundamental, um direito de todo mundo, e quanto mais, melhor. de tanto que leio o pessoal falando por aí que é elitista achar que todo mundo deveria ser educado e esclarecido, acabei me achando meio metida a besta.
mas continuo não gostando de paternalismo. coisas do tipo "coitadinho, não estudou porque é pobre" ou "ele rouba porque a sociedade não lhe deu condições". eu acredito que não existem privilegiados, existem aqueles que suam mais, que sonham mais, que trabalham mais. que tudo vale a pena se a alma não é pequena.
e, apesar dos pesares, confesso que senti um alívio com a vitória do Lula. afinal, nunca pensei que fosse viver prá ver a dívida do Brasil com o FMI paga.
quase aplaudi de pé ao assistir isso pela primeira vez. e a Dove continua de parabéns.
Labels: feminino pleno, videos
no domingo passado comemorou-se o dia dos professores. que era respeitosamente chamado de "Dia do Mestre", na minha época. diziam que a professora era como uma segunda mãe, e lhe devíamos respeito. eu costumava respeitar profundamente todos os meus professores, admirava-os, invejava-os sempre que os via reunidos, na hora do intervalo, na tal "sala dos professores", como deuses de algum olimpo. anos depois, em meu primeiro dia como professora de verdade, senti um orgulho imenso de estar numa daquelas (mesmo descobrindo quase que imediatamente que de olimpo a sala não tinha nada).
neste último dia dos professores, encontrei uma reportagem no Dia online (não consegui encontrá-la novamente para por o link aqui, sorry) que me deixou estarrecida. dizia mais ou menos que, no mês passado, cerca de 10 mil professores da rede pública do Rio de Janeiro pediram licença de seus empregos. mais de 50% alegou precisar de tratamento contra ansiedade, depressão e síndrome do pânico.
os professores sentem-se acuados e desprotegidos quando saem para lecionar. a violência já atingiu as salas de aulas. alunos agridem os professores, fazem ameaças. eles não tem mais como exercer sua autoridade sobre a classe, o que os impede de realizar seu trabalho. ao invés de "mestres", são vistos como um nada. estão a mercê do medo de que algum aluno os surpreenda num dia qualquer, na hora da saída, com um fuzil em punho. ou de que uma aluna insatisfeita com o fato de precisar calar durante a aula (como realmente aconteceu) os atire um livro nas costas e os puxe os cabelos como um bicho.
quando tomei a decisão de me tornar professora, o fiz por um profundo amor e desejo de compartilhar conhecimento, de colaborar de forma efetiva para o mundo bom que eu acredito. eu não acredito em trabalho sem o ideal em prol de algo maior que nós mesmos. e que profissional tem maior chance de realizar isso do que o educador? no pouco tempo em que consegui atuar no sistema educacional formal, em escola particular, compreendi que era preciso muito mais que idealismo. estamos todos cercados por uma ideologia estúpida de consumismo e ilusionismo, onde o mercantilismo dita as regras, e se você não dança conforme a música acaba perdendo seu espaço, e perder espaço num país como o Brasil é luxo que poucos podem se dar. nem como professor você está livre do tal sistema. os tempos de "mestre" se foram. você aprende rápido que os alunos, ou aqueles que pagam o seu salário, "mandam". deparei com turmas completamente despreparadas as quais eu não podia avaliar segundo os meus critérios, porque a política da escola, que queria ser "moderna", era de jamais baixar a média de um aluno. era com os dentes trincados que eu lançava setes (média mínima) no quadro de notas após nomes de alunos que sequer traziam um lápis para a sala de aula. o que se ensina a alguém com critérios tão frouxos, pergunte a eles. prá mim, isso apenas reforça o conceito da lei do menor esforço, uma das coisas que mais atravanca o progresso social no Brasil... eu me sentia uma traidora do que eu acreditava. digam-me se isso também não é uma violência. é de uma frustração descomunal ver que o sistema contra o qual você luta está representado justamente por um dos pilares da sociedade - a escola.
mesmo atrasado, meu Feliz Dia do Mestre para todos aqueles que têm remado contra a maré, com a coragem suficiente de quebrar barreiras e transformar.
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